Temer ‘está buscando é dialogar exaustivamente’

Catarina Alencastro

15/08/2016

 
 

ENTREVISTA - Helder Barbalho.

Comandado por Dilma e Temer, o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, afirma não sofrer desconforto. Ele evita comparar os dois, mas ressalta a capacidade de diálogo do presidente interino.

“O financiamento privado existia até então. De forma equivocada, generalizou-se de que havia ilicitudes. Acho que é um equívoco a generalização”

Helder Barbalho Ministro da Integração Nacional

O senhor foi ministro da presidenta afastada, Dilma Rousseff; e é do presidente interino, Michel Temer. Sente algum desconforto por isso? Ela classifica o interino como “traidor”?

Eu fui ministro da presidenta Dilma indicado pelo PMDB. Minha indicação, tanto para o Ministério da Pesca, quanto para a Secretaria Nacional de Portos (ambos extintos por Temer), foi dentro do espaço que o PMDB cumpria.

O presidente interino contabiliza recuos e concessões, que foram malvistas por alguns setores.

Nós estamos num ambiente em que modelo de governança do nosso país requer que o Executivo e o Legislativo tenham capacidade de diálogo. Qualquer tentativa contrária seguramente seria ineficaz. O que o presidente está buscando é dialogar exaustivamente, ter inclusive uma postura de humildade para ouvir o Parlamento, para ouvir os sindicatos.

A confirmação dele no cargo mudará o governo, o jeito de governar?

Na minha opinião, não. Acho que o presidente já estabeleceu que quer fazer um governo de diálogo, um governo que pode pecar até eventualmente ao recuar, mas jamais pecará por uma atitude que, mesmo tendo sido alertado, resolveu insistir.

O PMDB é um partido de múltiplas vertentes. Isso pode atrapalhar a governabilidade de Temer?

Eu acredito que o êxito de um governo é compor a capacidade administrativa com a habilidade política e, dentro da habilidade política, ter a condição de interpretar as diferentes opiniões.

O seu pai (Jader) foi alvo de citação na delação de Sérgio Machado na Lava-Jato. Como essa operação atinge a classe política como um todo?

Eu, você e todos os cidadãos do Brasil são a favor das medidas que estão acontecendo, no sentido de garantir transparência. Este é um desejo da sociedade. O que é fundamental é que as coisas possam ser esclarecidas o mais rápido possível.

O sr. acredita que a Lava-jato demonizou a classe política?

O financiamento privado existia até então. De forma equivocada, generalizou-se de que havia ilicitudes. Acho que é um equívoco a generalização.

A Lava-Jato é a culpada de ter criado essa generalização?

A Operação Lava-Jato é um ganho para o país, agora, nós precisamos avançar.