Renan Calheiros, o primeiro-ministro do governo Temer

João Domingos

01/09/2016

 

 

Se José Dirceu era uma espécie de primeiro-ministro de Lula, se Lula era o primeiro-ministro no primeiro governo de Dilma Rousseff, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), será o primeiro-ministro do agora governo efetivo de Michel Temer.

Não só porque Temer dependerá de Renan para fazer andar no Senado a pauta com as propostas de reformas que buscam o equilíbrio fiscal. Mas também porque o senador alagoano é o único hoje com capacidade para neutralizar os vários grupos abrigados no PMDB que podem causar problemas a Temer, como o do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (RJ). Todos sabem - Temer principalmente - que o PMDB não é um partido, mas uma federação de interesses. Quando quer, dá mais trabalho ao governo do que vários partidos de oposição.

Renan é também a ponte que restou para negociações com o PT e seus parceiros num momento em que eles já anunciam os mais duros ataques ao governo.

O presidente do Senado encontra-se hoje numa posição de tal conforto no xadrez político, que teve a capacidade de vencer as duas votações do impeachment. Na primeira, ajudou Temer, votando pela cassação de Dilma Rousseff. Na segunda, articulou o polêmico voto que manteve os direitos políticos da agora ex-presidente. Findo o processo, tanto Temer quanto Dilma ficaram devendo alguma coisa a Renan.

Uma hora qualquer terão de pagar. Por isso mesmo, é sintomático que ao cumprimentar Temer logo depois de comandar a cerimônia de posse do agora presidente efetivo, o presidente do Senado tenha dito, diante de um microfone aberto, cujo som ecoou pelo plenário de todo a Casa: “Estamos juntos”.