Valor econômico, v. 17, n. 4084, 05/09/2016. Internacional, p. A9

Para Serra, "é folclore" dizer que país é fechado

Por: Assis Moreira

 

A preocupação com a retórica anticomércio foi recorrente na reunião do G-20. E ao final do primeiro dia da cúpula, onde acompanhou Michel Temer, o chanceler José Serra não se conteve.

"Hoje eu vi chefes de Estado ou de governo que são cada vez mais protecionistas clamando pelo livre comércio. Está tudo gravado. É só vocês ouvirem ]na verdade, a reunião é fechada]", afirmou.

Para Serra, é mais fácil falar em livre comércio do que praticá-lo. Ele não citou nomes. Mas nos EUA, a maior potência do planeta, os dois candidatos à Casa Branca, pelo menos no discurso, não querem nem saber de abertura comercial, sob o argumento de que causa desemprego.

O debate sobre comércio será hoje e o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, deve repetir que é bom o discurso de combate à retórica anticomércio, mas sobretudo é bom que se pratique de fato uma liberalização.

Na entrevista, Serra foi lembrado de que o Brasil tem sido apontado como uma das economias mais fechadas. "É folclore", reagiu. Para o ministro, são "dados furados" pesquisas como a da Câmara de Comércio Internacional (CCI), que até recentemente colocavam o Brasil como campeão de protecionismo dentro do G-20.

Para Serra, as pesquisas não levam em conta vários outros indicadores, como nível de subsídios agrícolas, que deixariam bom número de países desenvolvidos em posição desconfortável.

O chanceler, que é o chefe da parte de negociações comerciais do Brasil, repetiu que defende a abertura comercial, mas desde que seja recíproco.