Título: Colcha de retalhos
Autor: Rothenburg, Denise
Fonte: Correio Braziliense, 30/10/2011, Política, p. 6

Na última sexta-feira, o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Ricardo Kotscho lembrava num artigo que o modelo de loteamento de cargos entre os partidos está esgotado e citava a dificuldade da presidente Dilma Rousseff em criar equipes homogêneas. Esse mesmo diagnóstico é feito pelos políticos. Eles reclamam, mas não abrem mão das indicações. Até porque mesmo os cargos mais técnicos acabam indicados politicamente, com vantagem para os apadrinhados de quem é mais próximo de Dilma.

Diante da disputa quase cega por cargos, especialmente dos partidos grandes, como o PT e o PMDB, alguns ministérios se transformaram em verdadeira colcha de retalhos. Muitos secretários não podem ser demitidos pelo chefe direto e nem o ministro tem o controle das ações de seus secretários. E todo mundo sabe que, onde não tem comando, a confusão impera. Há repartições, como o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), onde é quase que um diretor de cada partido. Cada um cuida da sua vida e ninguém dá satisfação a um chefe direto.

No outro extremo, estão os ministérios igrejinhas, os porteiras fechadas. O problema é que, nesses casos, muitos ministros terminam dando mais satisfações às legendas do que à presidente da República ou a um projeto de governo. Há quem diga que esse era um dos problemas do Esporte. Tudo isso mostra que Kotscho tem razão. O modelo faliu. Resta saber quem vai abrir mão das nomeações. Ao que parece, ninguém. (DR)