Título: Manipulação cambial
Autor: Ribas, Silvio
Fonte: Correio Braziliense, 05/11/2011, Economia, p. 11

Cannes (França) — A crise econômica global já se reflete pesadamente sobre os países emergentes, a começar pelas expressivas e longas variações de suas taxas de câmbio. Esse foi o tom usado pela presidente Dilma Rousseff, durante a Reunião de Cúpula do G-20, para criticar a manipulação das políticas monetárias sem limites. "Quando os países desenvolvidos, sem opções de investimento lucrativo, usam de expansão monetária e juros baixos para resolver seus problemas, acabam provocando inflação de ativos financeiros e estimulando a especulação dos mercados", avaliou ela, no encerramento do encontro de líderes mundiais em Cannes.

Dilma lembrou que o impacto dessas decisões é ainda mais perverso sobre países em desenvolvimento sem grandes reservas internacionais. "As consequências de operações, que vou chamar apenas de manipulações de câmbio, também são fortes sobre o comércio externo", acrescentou a presidente, numa referência indireta à China e aos Estados Unidos. Para ela, questões de competitividade comercial e estabilização cambial precisam ser tratadas dentro das negociações para a abertura do comércio global. Ao lembrar o "conhecido esforço brasileiro" para promover a Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), Dilma também disse que não há como ignorar contradições que impeçam que as negociações andem.

Os impasses do comércio, lembrou Dilma, já são apontados pelos líderes desde a primeira das seis reuniões de cúpula do G-20. Sua posição recebeu o apoio do colega mexicano Felipe Calderon e do primeiro ministro do Japão, Yoshihiko Noda. Apesar disso, a presidente reconheceu que mudanças desse cenário de dificuldades são muito difíceis de ocorrer, considerada a prioridade dada pelos países aos seus próprios interesses, particularmente os EUA. (SR)