Segurança terá reforço em 14 estados

 

30/09/2016
Paulo de Tarso Lyra
Julia Chaib
 

Após o assassinato do candidato a prefeito de Itumbiara (GO), José Gomes da Rocha (PTB), na tarde de quarta-feira, durante uma carreata na cidade — ele foi enterrado ontem e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de três dias —, as autoridades federais resolveram adotar medidas para tentar diminuir a violência na campanha eleitoral. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou o envio de tropas federais para os locais mais críticos. E o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, informou que a Polícia Federal acompanhará as investigações em Itumbiara, distante 409km de Brasília.

Depois de se reunir com o presidente Michel Temer, Jungmann disse ontem que as Forças Armadas atuarão com 25 mil militares da Marinha, Exército e Aeronáutica em 408 localidades, de 14 estados. O efetivo será destinado ao primeiro turno das eleições. Segundo Jungmann, a demanda pelo efetivo está “um pouco acima da média”,  e pode ser reforçado de acordo com a demanda da Justiça Eleitoral. “De qualquer sorte, ela (a demanda) é móvel, mas definida pela Justiça Eleitoral. É quem arca com essa questão”, disse. Segundo o Ministério da Defesa, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibilizou cerca de R$ 25 milhões para a operação.

Já o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, chegou à Goiânia no fim da manhã de ontem, para visitar o vice-governador de Goiás, José Eliton (PSDB), que ficou ferido no atentado. “A investigação é conduzida por uma força-tarefa das polícias Civil e Militar de Goiás. Pelo que apuramos até agora, esse fato é um ponto fora da curva. Um fato lamentável. Solicitei que o diretor da Polícia Federal desse todo o apoio necessário à Secretaria de Segurança Pública de Goiás. Estamos com três delegados e quatro equipes da Polícia Federal em Itumbiara”, destacou.

O ministro da Justiça confirmou que as equipes da PF permanecerão no município goiano até domingo. “A princípio, a investigação continua sendo conduzida pela Polícia Civil de Goiás, mas com o apoio da PF. Se ficar comprovado algum crime político ou eleitoral, pode haver o deslocamento de competência. Mas sempre em parceria com as polícias locais”, disse Moraes.

 

“Chocante”

O ministro da Justiça confirmou ser amigo do vice-governador e disse que ambos atuaram juntos em debates sobre segurança. Além de ser o substituto imediato do governador Marconi Perillo, Eliton também é secretário de Segurança Pública de Goiás. “Vim aqui para prestar a solidariedade ao vice-governador José Eliton, que é meu amigo. Ele está bem, fora de perigo”, disse o ministro logo após a visita. José Eliton segue internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI). Segundo boletim médico, divulgado ontem de manhã, o quadro de saúde é considerado regular. Ele está consciente e passou por vários exames.

Moraes havia conversado mais cedo com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes. Mendes classificou de “chocante” e “deplorável” o episódio. “Deu a impressão de atentado. As investigações ainda estão sendo feitas, ainda não se tem claro qual foi a motivação, mas evidentemente parece estar associado a um contexto ou atuação política. Isso certamente será devidamente esclarecido. Mas realmente se trata de um episódio chocante e deplorável para todos os títulos”, disse ele.

Questionado sobre outros episódios de violência envolvendo candidatos nesta campanha eleitoral, Gilmar Mendes disse que o TSE está acompanhando os casos “com muita atenção”. “Estamos atendendo aos pedidos feitos pelos tribunais regionais e governadores para a presença de forças federais nos vários estados”, destacou.

“Estamos ainda carentes de explicação (sobre a morte de candidatos nessas eleições). No Rio de Janeiro, nós temos a presença de milícias, a questão do crime organizado, narcotráfico. Estivemos duas vezes na Baixada Fluminense, conversamos com as autoridades, discutimos a presença das Forças Armadas e Nacional”, ressaltou Gilmar Mendes.

Para o presidente do TSE, “aparentemente” a maioria dos casos de morte de candidatos está relacionada a questões eleitorais. “Embora também as autoridades do Rio tenham dito que havia disputa de algumas atividades ligadas ao crime comum, ao crime ordinário, mas isso envolve sempre milícias, envolve o narcotráfico. Alguns candidatos estão associados, o que traz uma outra preocupação, que é o crime organizado participando do processo eleitoral, isso realmente é algo delicado”, acrescentou.

 

Correio braziliense, n. 19485, 30/09/2016. Política, p. 2