Título: Indústria cambaleia
Autor: Dinardo, Ana Carolina
Fonte: Correio Braziliense, 09/11/2011, Economia, p. 12
A indústria brasileira vive um momento de atenção. O horizonte não chega a ser assustador, mas está longe de trazer tranquilidade. A atividade do setor apresentou mais uma queda no mês de setembro, segundo dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Um levantamento mostrou que todos os indicadores, com exceção do faturamento, que cresceu 1% em relação a agosto, despencaram. O emprego, último item a ser afetado pela desacelaração da produção, já começa a sentir os impactos.
O levantamento da entidade mostrou que no item horas trabalhadas houve queda de 1,3% em setembro, na comparação com agosto, e o nível de emprego recuou 0,3%, a maior queda mensal registrada desde abril de 2009. Mas, para a CNI, mesmo com o baque, houve um aumento de 3,5% da massa salarial em setembro, o que garantiu elevação de 3,3% no rendimento médio real do trabalhador naquele mês. Para Flávio Castelo Branco, economista da entidade, a queda na demanda industrial deveu-se ao aperto monetário e, principalmente, às circunstâncias negativas da crise internacional. "Temos uma taxa de câmbio que agora está melhor, mas, ainda assim, o dólar atinge fortemente o setor industrial", afirmou.
IBGE De acordo com o economista, o resultado geral mostra que a indústria segue um processo de adequação entre oferta e demanda. Ele ressaltou que os estoques permanecem em alta, o que faz com que a produção sofra retração, ainda um reflexo do cenário mundial de desaceleração da economia. A estimativa da CNI é de que o último trimestre seja o mais fraco do ano. Em setembro, a indústria utilizou 81,6% de sua capacidade instalada, na comparação com agosto — o indicador apresentou queda mais uma vez, dessa vez de 0,6%.
Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que, em setembro, a produção industrial caiu em 7 de 14 locais pesquisados no país, com ajuste sazonal, segundo números divulgados ontem. Consideradas todas as regiões, a produção industrial brasileira recuou 2% em setembro, na comparação com o mês anterior. "É o pior resultado desde abril deste ano, quando foi registrada uma queda de 4,3% na produção industrial de São Paulo", disse André Luiz Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. (ACD)
PETROLEIROS ACENAM COM ACORDO A Federação Única dos Petroleiros está disposta a suspender a greve planejada para 16 de novembro se a Petrobras oferecer melhores salários e condições de trabalho, disse ontem João Antonio de Mores, coordenador da entidade. A estatal já sinalizou que está interessada em evitar uma greve prolongada a fim de garantir o fornecimento de combustível e garantir o fluxo de caixa para seu ambicioso programa de investimentos de US$ 225 bilhões, focado na exploração de petróleo em águas profundas. "Nosso objetivo é sempre buscar melhores condições de trabalho, a greve não é um fim em si mesmo", disse o sindicalista. "Se a empresa fizer uma proposta que avance, estamos dispostos a reconsiderar."