Título: Chávez oferece apoio a Carlos, o Chacal
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Fonte: Correio Braziliense, 09/11/2011, Mundo, p. 17
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, instruiu o ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, a garantir os direitos do compatriota Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, o Chacal, no julgamento em que é acusado de participar de quatro atentados à bomba em território francês na década de 1980. Saudado por Chávez como um lutador "digno" das causas revolucionárias, Chacal começou a ser julgado em Paris na segunda-feira.
Após reunir-se no Palácio de Miraflores com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, Chávez preferiu não falar à imprensa sobre "o que Chacal possa ter feito", mas garantiu que "tem obrigação com qualquer venezuelano que esteja em qualquer parte do mundo submetido a qualquer dificuldade". Na coletiva de imprensa, o mandatário afirmou que "nenhum venezuelano vai ser desrespeitado em nenhuma parte do mundo, independentemente da acusação" e garantiu que vai lutar para que os direitos do terrorista sejam cumpridos.
Chávez instruiu publicamente o ministro Maduro a averiguar o caso e prestar o apoio necessário a Chacal, que segundo o presidente é um "verdadeiro revolucionário da causa palestina". A intercessão do mandatário é uma reposta aos familiares e simpatizantes do terrorista que na tarde de segunda-feira protestaram em frente o ministério do Exterior, em Caracas, sob liderança do irmão mais novo do réu, Vladirmir Ramírez. Na ocasião, Vladimir disse não esperar um julgamento justo e pediu que Chávez pedisse a repatriação do irmão e garantisse seus direitos no tribunal francês. Chávez admitiu que a intervenção vai ser criticada pelos "centros de poder, onde a ética e a moral têm dois pesos e duas medidas, como a França, que diz proteger pessoas inocentes enquanto as bombardeia e massacra, como fez na Líbia".
"Durão" Na França, do banco dos réus, Chacal disse ontem aos berros ser um tipo "durão, não um pobre coitado que explora as vítimas dos Estados terroristas". Ele ainda protestou contra as condições de higiene na prisão La Santé, onde está encarcerado, e reclamou da demora do serviço penitenciário em entregar a ele seu computador para que possa estudar o processo.
Apesar da atitude do terrorista, a defesa o descreveu como "um homem de 62 anos, diabético e possivelmente inocente". Chacal, por sua vez, reafirmou que vive uma situação "indigna" e chegou a pedir atendimento médico porque não se sentia bem. "Não sou diabético por opção, mas por estresse", afirmou à corte. Em entrevista ao jornal Venezuelano El Nacional, ele indicou que vai trabalhar "com o governo" caso volte para a Venezuela.