Título: Grécia volta ao embate
Autor: Ribas, Silvio
Fonte: Correio Braziliense, 15/11/2011, Economia, p. 8

O recém-empossado primeiro-ministro da Grécia, Lucas Papademos, anunciou ontem que o país precisa implementar um novo programa de ajuste fiscal, tarefa que coloca Atenas em uma nova encruzilhada política. O líder da Nova Democracia, legenda da base de apoio do governo, prometeu rejeitar qualquer endurecimento das medidas de austeridade exigido pelos credores. "Concordo com as metas para cortar gastos. Não concordo com qualquer coisa que prejudique o crescimento", disse Antonis Samaras. A intenção de Papademos é criar condições para que o país receba o segundo resgate, de 130 bilhões de euros, negociado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia (UE).

"Para continuar os esforços para restaurar a economia, precisamos de suporte dos parceiros europeus", afirmou ele, no Parlamento, no começo de uma série de debates que resultarão, amanhã, num voto de confiança à sua gestão. O premiê disse que, em breve, anunciará planos de troca de títulos da dívida pública e de privatizações. Ele reconheceu que a permanência da Grécia na Zona do Euro "está em jogo", mas ressaltou ser essa "a única escolha possível para o país".

Inspetores Papademos revelou que a expectativa é reduzir o deficit público do país dos atuais 10,6% do Produto Interno Bruto (PIB) a 9%. Ele começou ontem a gestão do governo de união nacional, que deverá adotar nos próximos cem dias as medidas de austeridade necessárias para a Grécia continuar recebendo ajuda internacional. Está prevista para a próxima sexta-feira a primeira visita a Atenas de inspetores da União Europeia (UE), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE). O país espera o desbloqueio do repasse de 8 bilhões de euros do primeiro empréstimo para não quebrar. Sem o dinheiro, aposentados e servidores não receberão salários.

A exemplo da Itália, onde o presidente da República nomeou um técnico, Mario Monti, para liderar o governo com a árdua tarefa de restaurar a confiança do mercado, Papademos, ex-BCE, foi empossado para implementar reformas radicais. (SR)