Título: DF enfrenta problema inverso
Autor: Mariz, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 18/11/2011, Brasil, p. 8
No Distrito Federal, ocorre o movimento contrário. Aqui, considerando as informações das certidões de óbito, o número de crianças com menos de 1 ano que morrem anualmente é 30% maior que a estatística levantada pelo Censo 2010.
"A razão disso possivelmente está na utilização dos cartórios da capital pelos moradores do Entorno. Muitos, por desconhecimento, têm medo de o cartório não aceitar um endereço de fora e usam o endereço de um parente ou de um conhecido do DF", avalia Fernando Albuquerque, da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE e autor do levantamento que rastreou a subnotificação dos óbitos infantis.
Em termos absolutos, a diferença entre os óbitos formalmente registrados por ano nos cartórios (516) e os registrados pelo Censo (359) chegou a 31, colocando o DF no topo do fenômeno da notificação acima do número real no país. Em seguida, vieram Acre, Amapá e Pernambuco.
Mas é o Sudeste que aparece em peso no ranking. Em São Paulo, no lugar das 7.426 mortes de menores de 1 ano registrada anualmente, o Censo descobriu que eram 6.105 — 17,8% a menos. Minas Gerais tem índice também negativo de 10,7%. O Rio de Janeiro concentra 10% a menos de mortes do que apontava o levantamento feito com base nos documentos oficiais dos cartórios. No Espírito Santo, a discrepância para baixo foi muito reduzida, 3,9%. (RM)