Título: Pausa forçada na Chevron
Autor: Decat, Erich
Fonte: Correio Braziliense, 24/11/2011, Brasil, p. 12
ANP proíbe empresa de perfurar poços na Bacia de Campos (RJ) até que sejam descobertas as causas do vazamento de óleo no local
Os pedidos de desculpas feitos, ontem, pelo presidente da Chevron, George Buck, ao povo brasileiro na Comissão de Meio Ambiente na Câmara dos Deputados não convenceram a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Enquanto o executivo prestava depoimento sobre o vazamento de óleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos (RJ), a diretoria da ANP anunciava a suspensão de todas as atividades de perfuração da empresa no território brasileiro. A medida terá efeito até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo derramamento de óleo detectado no último dia 7. Além da suspensão, a agência rejeitou o pedido da empresa norte-americana de iniciar a perfuração de um novo poço próximo ao local do acidente. Essa nova operação tinha como objetivo atingir o pré-sal.
"A diretoria (a ANP) entende que a perfuração de reservatórios no pré-sal implicaria riscos de natureza idêntica aos ocorridos no poço que originou o vazamento, maiores e agravados pela maior profundidade", informa trecho de nota divulgada pela agência. Segundo a ANP, a decisão baseou-se nas análises e nas observações dos técnicos da instituição, que constataram negligência por parte da concessionária na perfuração de poços e na elaboração e execução de cronograma para estancar o vazamento.
A estimativa é de que 2.400 barris tenham vazado. Na audiência, George Buck garantiu que a Chevron tomou todas as medidas cabíveis desde que foi constatado o problema. "A primeira prioridade foi de proteger as pessoas dentro e no entorno da operação para que ninguém sofresse nenhum tipo de ferimento. A segunda prioridade foi de proteger o meio ambiente. Nós estamos conscientes da seriedade desta situação e assumimos nossas responsabilidades", ressaltou Buck, que iniciou a defesa pedindo desculpas pelo ocorrido. "Peço sinceras desculpas à população brasileira e ao governo brasileiro... Esperamos continuar sendo parceiros do Brasil para fazer jus ao destino do país em se tornar uma superpotência."
Poucas informações As palavras de Buck também não sensibilizaram parlamentares presentes na audiência. "Não acredito que as desculpas do presidente sejam suficientes para sanar a indignação de todos nós que acompanhamos o desenrolar dessa novela", disparou o deputado Sarney Filho (PV-MA). O deputado também questionou o fato de as informações iniciais sobre o episódio terem sido dadas pela própria empresa. "É inconcebível que aqueles que estão sendo investigados sejam aqueles que forneçam o material que será usado na investigação", ponderou o parlamentar.
A mesma questão foi levantada pelo representante da Marinha no evento, o almirante Elander Santos. "Senti uma grande dificuldade. As informações em que estávamos trabalhando tinham a interveniência da empresa envolvida no fato. O Estado brasileiro necessita ser capaz de gerar suas próprias informações para, em função disso, fazer com que suas ações sejam de emergência", ressaltou Santos.