Cai secretário de Temer que pediu mais chacinas

Amanda Almeida e Ilimar Franco

07/01/2017

 

 

Bruno Júlio, do PMDB e titular da Secretaria de Juventude, perde cargo após dizer que ‘tinha que matar mais

 

O secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio (PMDB), perdeu ontem o cargo após afirmar ao GLOBO, ao comentar o massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, que deveria haver “uma chacina por semana”. Bruno justificou a posição por ser filho de policial e ironizou os detentos, chamando-os de “santinhos”.

— Eu sou meio coxinha sobre isso. Sou filho de polícia, né? Tinha era que matar mais. Tinha que fazer uma chacina por semana — disse Bruno, que é filho do ex-deputado federal Cabo Júlio (PMDB-MG).

A entrevista de Bruno Júlio foi publicada no blog de Ilimar Franco, no site do GLOBO. O Palácio do Planalto disse que o cobrou sobre as declarações e o desautorizou a falar sobre o tema. No fim da noite, Bruno pediu exoneração do cargo, aceita por Michel Temer.

Bruno foi nomeado secretário da Juventude em junho. A pasta é subordinada à Secretaria de Governo da Presidência da República.

O ex-secretário também comparou o massacre em Manaus ao assassinato de 12 pessoas pelo ex-marido de uma delas no réveillon em Campinas (SP).

— Isso que me deixa triste. Olha a repercussão que esse negócio do presídio teve e ninguém está se importando com as meninas que foram mortas em Campinas. Elas, que não têm nada a ver com nada, que se explodam. Os santinhos que estavam lá dentro, que estupraram e mataram: coitadinhos, oh, meu Deus, não fizeram nada! Para, gente! Esse politicamente correto que está virando o Brasil está ficando muito chato.

Antes do pedido de exoneração, Bruno alegou que estava “brincando”.

 

 

O globo, n. 30469, 07/01/2017. País, p. 05.