Título: Rendimentos semelhantes
Autor: Alcântara, Manoela
Fonte: Correio Braziliense, 03/12/2011, Cidades, p. 33
Autor de diversos estudos sobre o sistema de cotas, o professor emérito da UnB na área de educação Jacques Velloso mostra que dois quesitos básicos desbancam qualquer teoria de baixo rendimento para os cotistas. Após um trabalho feito durante cinco anos, ele concluiu que o número de evasão entre as pessoas que passam pelo vestibular convencional é maior do que o daqueles que se enquadram no sistema de cotas. Além disso, não há diferença significativa entre as notas das duas categorias. "Quem passa pela avaliação para entrar nos 20% já sabe o que quer, são raras as mudanças de cursos", constatou.
Velloso acredita que um período de 10 anos é insuficiente para corrigir a distorção entre negros e brancos com formação de nível superior. Após o término do prazo, o professor sugere que a política afirmativa continue por pelo menos mais 20 anos. "Acredito que esta é uma iniciativa temporária, mas 10 anos é muito pouco para mudar uma realidade histórica. As cotas só devem deixar de existir quando o percentual da população negra se igualar ao de graduados negros", ponderou. Segundo dados preliminares do Censo realizado pelo IBGE em 2010, pela primeira vez o número dos que se declaram pretos e pardos superou o de brancos. Hoje, eles representam 50,7% da população, contra 47,7% de brancos.
Especialistas ouvidos pelo Correio acreditam ainda que a distorção só será superada se a política for aliada a uma melhoria significativa de educação. O preceito básico de mudança: quando o estudo público nos níveis fundamentais e médio for igual ao aprendizado na rede privada, todos estarão prontos para ter chances iguais de ingressar na universidade. (MA)
Liberado para votação
Na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF/186), o Democratas justifica que a iniciativa fere o direito universal à educação, o princípio da igualdade nas condições de acesso ao ensino e o princípio da meritocracia, entre outros previstos na Constituição Federal de 1988. Em análise no STF desde então, somente em setembro deste ano o relator do processo, ministro Ricardo Lewandowski, liberou o processo para votação. Cabe agora à presidência do Supremo incluir o pedido na pauta e aguardar a decisão do plenário.
Percentuais
Segundo indicadores sociais do IBGE divulgados em 2009, de 1998 a 2008 houve significativa melhora na distribuição da frequência por níveis de ensino entre a população de cor negra e parda. Em 1998, um terço dos brancos de 18 a 24 anos frequentava o ensino superior, contra 7,1% dos negros e pardos. Em 2008, 60,3% dos jovens brancos cursavam esse nível de ensino, enquanto entre negros e pardos o percentual era de 28,7%.