Título: Incerteza atrapalha abertura de fábricas
Autor: Caprioli, Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 03/12/2011, Economia, p. 18

Segundo pesquisa da CNI, 75,5% das empresas apontam a atual crise no mundo como causa principal para adiar os investimentos » A insegurança causada pela crise internacional deve reduzir ainda mais os investimentos do setor privado brasileiro previstos para o ano que vem. Para 75,5% de um grupo de empresários composto por pequenas, médias e grandes companhias, esse é o principal fator que pode comprometer os planos de expansão em 2012. Um levantamento feito com 592 empresas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que 86,6% delas pretende investir após a virada do ano, mas somente 39,9% desses recursos serão destinados a novos projetos. O restante será usado para a troca de maquinário ou manutenção do parque já existente.

Na avaliação do gerente executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a sondagem revelou uma disposição menor em levar adiante os planos de expansão. "É mais positivo quando observamos a predominância de novos projetos no cronograma das companhias. Isso demonstra que elas estão dispostas a procurar novos mercados e lançar mais produtos. Quando o quadro é o contrário, como vemos para 2012, significa uma intenção mais defensiva do que ofensiva", detalhou.

A parcela de empresas que considera a incerteza econômica como o principal risco para a concretização dos investimentos é superior à verificada no fim do ano passado em relação a 2011 (59,1%) e à estimada para 2010 (69,8%). O temor relacionado à crise supera ainda a expectativa de redução do consumo e o aumento no custo de investimento. "Em momentos de estabilidade, essas dificuldades mais permanentes ganham destaque. Mas, com a crise, elas ficam momentaneamente em segundo plano", justificou Castelo Branco.

Frustração A falta de confiança na economia também foi a causa da frustração de investimentos programados em 2011 para 58,9% dos empresários. Para Castelo Branco, isso ajudou a derrubar o Produto Interno Bruto (PIB) entre julho e setembro. "No terceiro trimestre, o PIB deve vir negativo. Com muita sorte, ficará estável", previu. Segundo a CNI, o cenário externo deve influenciar a estratégia das empresas em 2012. Nesse aspecto, porém, de forma positiva.

Empurradas pela necessidade de competir em um mercado no qual a disputa com os importados será ainda acirrada, as companhias deverão aplicar mais dinheiro na melhoria do processo produtivo, de forma a torná-lo eficiente e barato. O economista da CNI Marcelo Azevedo destacou que esse processo foi iniciado em 2011 e difere do caminho traçado em 2010. Naquele ano, para se recuperar rapidamente da crise, as empresas preferiram expandir sua capacidade de produção.