Título: Campos ganha o apoio de Kassab
Autor: Rothenburg, Denise
Fonte: Correio Braziliense, 04/12/2011, Política, p. 4
Durante evento do PSB, prefeito de São Paulo é recebido como estrela, exalta o pernambucano e afirma que o governador está habilitado para assumir o país
Ao colocar seu partido, o PSD, à disposição do "irmão mais velho" PSB rumo às eleições de 2012, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, terminou por oficializar a sua preferência pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, num projeto futuro para 2014. Ao ser chamado a discursar para saudar os militantes por cinco minutos, Kassab foi direto: "Existe aqui uma nova geração preparada para assumir o país e nessa nova geração, quem tem mais preparo, quem está mais habilitado, é você", afirmou Kassab. Ele fez questão de vir a Brasília apenas para participar do XII Congresso Nacional do PSB. Nos bastidores há quem diga que, da mesma forma que Eduardo Campos sonha com a presidência da República, Kassab gostaria de ser chamado para compor a chapa no papel de candidato a vice.
Da parte dos socialistas, o prefeito paulistano também recebeu tratamento VIP, mas porque a direção correu em seu socorro. No início havia uma faixa "PSD não", que foi retirada. Ontem, Campos, em deferência ao aliado, saiu do plenário para acompanhar Kassab até o carro. Embora o partido de Kassab ainda tenha pela frente uma série de desafios — o primeiro deles é a eleição de 2012 —, o PSB vê em Kassab uma ajuda para angariar um espaço maior em São Paulo. A única dificuldade de aliança entre os dois partidos para a eleição municipal é se José Serra for o nome do PSDB. Esse é um dos motivos que faz com que Serra possa vir a concorrer: tentar afastar o PSB de Kassab e, de quebra, tirar do prefeito o comando da prefeitura. Com Serra candidato, fica difícil para o partido de Campos apoiar o maior adversário do PT. Se eleito, Kassab fica sem um espaço de poder para fortalecer seu partido.
Enquanto a definição em São Paulo não chega, o PSB vai fazendo movimentos de olho no futuro. "Vai chegar o dia em que o PSB irá disputar qualquer coisa no Brasil", afirmava ontem Eduardo Campos numa roda de amigos. A ordem, no momento, é buscar marcas que dêem visibilidade ao partido. Para 2012, além de alianças amplas, o PSB apostará em assuntos que calam fundo no coração do cidadão das grandes cidades, como o transporte público. "A gente vê redução de impostos para carro, para passagem de avião, temos que discutir a isenção das passagens de ônibus, 50% do valor das passagens de ônibus são de impostos", afirmou Campos, ao encerrar o XII Congresso.
A senha em busca de soluções que melhorem a vida das pessoas nos centros urbanos foi dada pelo prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, que aconselhou os pré-candidatos a prefeito no ano que vem: "Ouçam o que a população deseja e não prometam aquilo que não podem fazer", aconselhou Lacerda, um dos prefeitos mais bem avaliados do país. Ele chegou ao Congresso acompanhado do presidente regional do partido, Walfrido Mares Guia, que não tem duvidas do projeto futuro: "Eduardo é um potencial candidato a presidente. Se tiver, três, ele estará entre eles. Se tiver dois, também".
Como 2014 está longe, o PSB cuida de 2012. Do segundo dia do Congresso ontem, saiu o novo diretório nacional que reelegeu Campos presidente. Ele agora tem carta branca para organizar alianças eleitorais, e desde cedo deixou claro que o objetivo do PSB é crescer. O partido terá candidato em 1.500 prefeituras e espera conquistar pelo menos 500, um crescimento expressivo para quem tem hoje 320.