Título: Encontro no Peru debaterá ações contra mídia
Autor: Marreiro, Flávia
Fonte: Correio Braziliense, 14/10/2011, Poder, p. A8
Assembleia da SIP, que começa hoje em Lima, analisará modelos de negócio para setor
Começa hoje, em Lima, no Peru, a 67ª Assembleia Geral da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), que medirá o estado da liberdade de expressão na região e analisará modelos de negócios de mídia em plataformas digitais, como tablets e celulares. A organização, que representa jornais e revistas do continente, fará novo alerta sobre a violência contra jornalistas -foram 21 profissionais assassinados de abril até agora- e discutirá leis consideradas contra a mídia. Na mira estará a lei de comunicação que tramita no Legislativo do Equador, que prevê fechamento de jornais ou TVs sem respaldo em sentenças judiciais. Os cerca de 1.300 delegados da SIP assistirão a apresentações sobre casos bem-sucedidos de difusão de conteúdo jornalístico pago por celular na América Latina. Representantes do "New York Times" abordarão a venda de assinaturas digitais, que estreou em março. "Os jornais latino-americanos estão em condições muito melhores que os americanos, mas a crise lá deve servir para que geremos novos modelos de negócios", diz Ricardo Trotti, da SIP. Após o fim de semana de seminários, o encontro será inaugurado oficialmente pelo presidente peruano, Ollanta Humala, na segunda. A pauta do encontro segue com os vazamentos do site WikiLeaks e o fechamento do tabloide britânico "News of the World" após o escândalo por escutas ilegais. O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, falará por videoconferência, em meio à controvérsia pelos novos papéis divulgados pelo site que revelaram identidade de fontes sigilosas e ativistas. A reunião acaba na terça, com a aprovação de informes por país sobre ameaças à imprensa. O relatório do Brasil focará crimes e violações contra a mídia e jornalistas -25 casos desde abril, incluindo quatro assassinatos- e o uso da censura prévia judicial. O representante brasileiro será Paulo de Tarso Nogueira, vice-presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da SIP e consultor do Grupo Estado.