Título: Indústria perto da recessão
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 07/12/2011, Economia, p. 11

Queda de 0,9% no terceiro trimestre ocorre depois de desempenho pífio no período anterior. Em parte das fábricas , tombo já é realNotíciaGráfico

» Vict Rio de Janeiro — beira de uma recessão, a indústria amargou retração de 0,9% no terceiro trimestre do ano — o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2009, quando recuou 6,4%. O resultado ruim ocorreu logo após o crescimento praticamente nulo no trimestre anterior, quando as fábricas obtiveram uma minguada expansão de 0,2%. Os dados do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país), divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprovam o calvário enfrentado pelo setor.

A situação mais grave é a da indústria de transformação, que, depois de registrar expansão zero no segundo trimestre de 2011, tombou 1,4% no terceiro trimestre sobre o segundo e recuou 0,6% em relação a igual período de 2010. As baixas foram puxadas pelos segmentos automotivo, têxtil, calçadista e farmacêutico. O resultado geral da indústria só não foi pior porque a construção civil e a indústria extrativa mineral apresentaram desempenhos positivos — de 0,9% e 0,2%, respectivamente. As maiores contribuições vieram da extração de minério de ferro e das obras civis do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da Copa do Mundo.

Sem fôlego A queda recente na produção industrial também confirma sinais de que a crise internacional levou a economia nacional a perder dinamismo no fim do ano.

A indústria começou a perder fôlego em agosto, como reflexo da crise na Europa e nos Estados Unidos, que prejudicou as exportações brasileiras, e das medidas tomadas pelo governo para conter a inflação. "No fim de 2010, o governo tomou algumas medidas tentando conter o crescimento da demanda e do crédito. Uma das medidas foi mexer no crédito concedido à indústria automobilística, aumentando um pouco algumas exigências. Essas medidas foram tendo efeito sobre a economia aos poucos", disse Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE.

A produção caiu 0,6% em outubro, o maior recuo para o mês desde 2009, quando o país sofreu recessão causada pela crise global. A produção da indústria atingiu seu teto em março, e está em queda há três meses e se encontra 4,7% abaixo do nível máximo. Dos 27 setores pesquisados pelo IBGE, 20 registraram retração. "A taxa do crescimento do consumo está bem menor do que vinha sendo registrado nos trimestres anteriores. Isso foi influenciado exatamente pelas medidas", explicou Rebeca. Ela lembrou que, no caso específico da indústria automobilística, várias montadoras deram férias coletivas no terceiro trimestre, diante de estoques elevados e queda nas vendas. (Colaborou Sílvio Ribas)

Queda preocupante A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que os números do IBGE vão obrigar a entidade a rever para baixo suas projeções de crescimento em 2011 — de 2,2% para a indústria e 3,4% para o Produto Interno Bruto (PIB). Para a entidade, as dificuldades do setor industrial ficaram explícitas e a intensidade da queda na indústria de transformação é preocupante. Para a entidade, os números refletem a perda de competividade provocada pela valorização cambial e pelos custos elevados.