Doria cobra saída de Aécio, e cúpula do PSDB se cala

Silvia Amorim 

12/07/2017

 

 

Em jantar com 14 líderes tucanos, inclusive o senador, prefeito de SP pede troca na presidência do partido

-SÃO PAULO- A discussão sobre permanecer ou abandonar o governo do presidente Michel Temer não foi o único momento da reunião do PSDB anteontem, em São Paulo, no qual seus líderes escolheram ficar em cima do muro. O constrangimento provocado pela permanência do senador Aécio Neves (MG) na presidência do partido entrou no cardápio indigesto do encontro, mas a maioria dos participantes impediu que a discussão continuasse.

Aécio é investigado em nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e, desde que foi flagrado em uma gravação com o empresário Joesley Batista, dono da JBS, pedindo R$ 2 milhões, está afastado da presidência do PSDB.

A falta de uma solução definitiva para a situação dele na hierarquia do partido tem sido alvo de queixas de diversos tucanos. Um deles é o prefeito de São Paulo, João Doria, que, mais de uma vez, pediu publicamente a saída de Aécio da direção da legenda.

Anteontem à noite, pela primeira vez, num jantar ao lado de outras 14 lideranças do partido e do próprio Aécio, Doria cobrou atitude da cúpula diante do desgaste que o senador tem imposto à legenda.

A cobrança de Doria veio ao seu estilo, seguida de elogios ao mineiro. Aécio reagiu dizendo que cada questão deveria ser discutida a seu tempo.

Um outro senador se juntou a Aécio e disse que não era o momento oportuno para o assunto. Sem mais comentários, a discussão foi encerrada.

ELEIÇÕES EM AGOSTO

Doria não comentou ontem ter tratado do assunto no encontro. Sinal de que o caso Aécio é tão constrangedor para o partido, o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati, negou que o tema tenha sido abordado. Em entrevista, ao fim da reunião, Tasso anunciou que o partido deverá antecipar para agosto a eleição interna que escolherá o novo presidente.

— Em agosto vamos fazer uma nova convenção que não vai ser só a eleição de uma nova Executiva, mas vai haver ampla discussão sobre o futuro do partido — disse Tasso.

O globo, n. 30655, 12/07/2017. País, p. 7