Marco Grillo
12/07/2017
O gerente financeiro da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), Carlos Roberto Alves, afirmou ontem, em depoimento à Polícia Federal, que o presidente do Conselho de Administração da entidade, José Carlos Lavouras, recebia semanalmente “pacotes” de uma corretora de valores usada pelo esquema de desvio de recursos dos transportes. À PF, Alves disse “que acredita que em tais pacotes pudesse haver dinheiro”. Alves está preso, e Lavouras, que tem cidadania portuguesa, foi detido em Portugal, onde precisa se apresentar diariamente à Justiça.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a Hoya, do doleiro e delator Álvaro José Novis, era utilizada para operar a propina do esquema da Fetranspor. Investigadores sustentam que Lavouras era o responsável por ordenar os pagamentos direcionados a agentes públicos em troca de vantagens como aumentos nas passagens e benefícios tributários. Donos de empresas de ônibus, como o próprio Lavouras, também se beneficiaram — segundo o MPF, só ele ficou com R$ 40,7 milhões.
Alves contou que entregava envelopes com documentos à corretora, a mando de Lavouras. Para o MPF, eram planilhas com a contabilidade da organização criminosa — esta seria a função de Alves no grupo, mas ele nega. A defesa de Lavouras não foi encontrada.
O globo, n. 30655, 12/07/2017. País, p. 8