PF vê indício de propina a governador do Rio

Mariana Sallowicz e Mônica Ciarelli

10/02/2017

 

 

Documento aponta suspeitas de que Luiz Fernando Pezão recebeu valor ilegal de organização criminosa supostamente liderada por Sérgio Cabral

 

 

Um dia após ter seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) foi citado em um relatório divulgado ontem pela Polícia Federal como suspeito de receber propina de uma organização criminosa supostamente liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral.

Seu vice, Francisco Dornelles (PP), também teve o mandato cassado e, assim como Pezão, afirmou que vai recorrer da decisão.

Eles permanecem em seus cargos até julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-governador Sérgio Cabral foi preso em novembro na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio.

No documento da Polícia Federal, há supostas referências a pagamentos de R$ 140 mil e R$ 50 mil a Pezão. Ao lado da anotação “R$ 140 mil” está escrito entre parênteses “Pzão?”. Em outra parte, figura o mesmo valor e a identificação “Pé”.

A PF entregou ontem o documento ao juiz federal Marcelo da Costa Bretas, responsável pelos desdobramentos da Lava Jato no Rio, em que sugere o encaminhamento ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) do material com os indícios de pagamento de propina a Pezão. O governador tem foro privilegiado.

As anotações foram localizadas durante busca na casa de Luiz Carlos Bezerra, apontado nas investigações como operador financeiro. Ele também foi preso na Calicute. “Apesar de ainda não terminada a análise do material (outras pessoas recebedoras de valores estão sendo identificadas), é certo que foi identificado como recebedor de valores o senhor Luiz Fernando Pezão”, diz o delegado Antonio Carlos Beaubrun Junior no documento.

 

Defesa. Pezão minimizou a acusação e afirmou que já teve a “vida revirada do avesso” pela PF na Lava Jato. “Fui investigado duas vezes, mas não acharam nada e pediram arquivamento.” O governador disse ainda não temer um processo de impeachment – possibilidade que tem sido levantada em meio à grave crise financeira do Estado. “A PF investigou tudo, quebrou o sigilo do meu telefone celular e das minhas contas bancárias. Estou à disposição da Justiça como sempre estive, não tenho problema quanto a isso”, afirmou o peemedebista.

Pezão disse ainda não saber a origem dos documentos. “Não sei se é campanha, o que é. Não vou em cima de suposições ou documentos que nem sei de onde vem para comentar”, completou o governador.

Sobre a cassação do TRE, Pezão disse que ainda cabe recurso no próprio tribunal. “Depois, se não tiver sucesso aqui no TSE, tem muito recurso para ser feito”, afirmou.

A Operação Calicute apura ilicitudes em obras do PAC Favelas, do Arco Metropolitano e da reforma do Maracanã.

 

Investigação. Pezão teve mandato cassado pelo TRE-RJ

 

 

O Estado de São Paulo, n. 45041, 10/02/2017. Política, p. A9.