Título: Longa discussão
Autor: Melo, Max Milliano
Fonte: Correio Braziliense, 10/12/2011, Ciência, p. 28
A ideia de elaborar um acordo global para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa surgiu em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro. Cinco anos depois, em Kyoto, no Japão, foi assinado o primeiro acordo sobre o tema, nos quais os países ricos se comprometiam a reduzir suas emissões em 5,2%, tomando como base o que era emitido em 1990. O protocolo duraria até 2012, quando entraria em vigor um novo acordo.
Em 2007, na Convenção de Bali (Indonésia), foi formada uma pequena comissão de negociadores que deveriam elaborar o substituto do Protocolo de Kyoto. Como a maioria dos países não atingiu as metas de redução e com o aquecimento global mais acelerado do que nunca, os negociadores decidiram que o novo protocolo incluiria metas proporcionais para todas as nações. O Bali Action Plan previa que o documento fosse aprovado em 2009, durante a COP-15, em Copenhague (Dinamarca).
O que era para ser um marco na proteção ambiental se transformou em um fiasco e não houve consenso. Poucos avanços ocorreram na convenção do ano seguinte, no México. Assim, para impedir um vazio legal na questão climática a partir de 2012, quando o Protocolo de Kyoto deixa de valer, passou-se a defender a adoção de um "segundo tempo", dispositivo previsto no próprio documento e que o prorroga até 2020.