Hong Kong retoma a importação de carnes

Lu Aiko Otta / Tânia Rabello / Gustavo Porto / Tânia Monteiro / Luci Ribeiro

29/03/2017

 

 

Com a decisão, todos os grandes mercados estão reabertos para a carne brasileira

 

 

 

Segundo maior mercado para carnes e derivados do Brasil, Hong Kong anunciou ontem que retomará suas importações, deixando de fora apenas os 21 frigoríficos que são alvo de investigação pela operação Carne Fraca, da Polícia Federal. “Estamos comemorando”, disse o ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

“Com essa medida, todos os grandes mercados para exportações de carnes brasileiras encontram-se novamente reabertos”, diz nota divulgada pelo Palácio do Planalto. “Trata-se de uma vitória para o setor agro exportador brasileiro e um resultado importante, logrado pelos esforços conjuntos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), do Itamaraty e do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong.”

Juntos, Hong Kong e China absorvem 33,57% do faturamento das exportações e 35,43% do volume embarcado, conforme dados compilados pela Associação das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). As compras dos dois mercados somaram US$ 3,26 bilhões no ano passado, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Ambos haviam bloqueado totalmente as importações desde o início da crise. A China reabriu seu mercado no último sábado.

A reversão do bloqueio nesses dois mercados era a prioridade na lista do ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Isso porque outros mercados importantes, como União Europeia, Rússia, Arábia Saudita e Japão não chegaram a suspender suas importações. Eles apenas deixaram de comprar dos 21 estabelecimentos sob investigação - que, de resto, estão impedidos pelo próprio governo brasileiro de exportar. A Rússia limitou-se a pedir mais informações.

Balanço divulgado ontem pelo Ministério da Agricultura mostra que 13 mercados seguem fechados para a carne brasileira: Argélia, Jamaica, Trinidad e Tobago, Panamá, Catar, México, Bahamas, São Vicente e Granadinas, Granada, São Cristóvão e Nevis, Marrocos, Zimbábue e Santa Lúcia. Juntos, eles não alcançam 2% do faturamento e 2% dos embarques de carne bovina brasileira.

Passada a fase mais aguda dos bloqueios nas exportações, Maggi vai centrar esforços no que ele chama de segunda etapa de enfrentamento da crise: a reconstrução da credibilidade, tanto do consumidor interno quanto do externo. Ele reconheceu ontem que, por causa da forma como a operação foi divulgada, a ideia de carne misturada a papelão ou impregnada com produtos cancerígenos ainda impacta consumidores no Brasil e no exterior.

No front externo, Maggi deverá viajar no início de abril para os EUA. Em seguida, seu secretário executivo, Eumar Novacki, estará no Irã, no Egito e na Argélia. No começo de maio, deverá ficar fora do país por 20 dias, passando por Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Hong Kong e China. Em todos os encontros, vão reassegurar a qualidade da carne brasileira.

Igual batalha é travada no mercado interno. Na segunda-feira, Maggi informou que os 21 frigoríficos alvos da operação foram vistoriados e, até o momento, nada foi encontrado que represente risco à saúde. Essa primeira checagem resultou na interdição, pelo Ministério da Agricultura, de seis estabelecimentos que apresentaram problemas, desde excesso de amido na salsicha até obstrução do trabalho dos fiscais. Nem todos os exames foram concluídos. 

 

Alívio

33,57% do faturamento das exportações brasileiras de carnes estão concentrados em apenas dois países, Hong Kong e China, e ambos já reabriam os mercados para os produtos do Brasil

 

 

O Estado de São Paulo, n. 45088, 29/03/2017. Economia, p. B10.