Título: Ministro otimista
Autor: Lyra, Paulo de Tarso ; Amado, Guilherme
Fonte: Correio Braziliense, 17/12/2011, Economia, p. 16

Embora reconheça o poder destruidor da crise internacional, sobretudo na Europa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, exibiu ontem uma visão bastante otimista sobre o crescimento da economia brasileira em 2012. No seu entendimento, os instrumentos de que o governo dispõe para estimular a atividade serão suficientes para levar o país a uma expansão entre 4% e 5% no ano que vem. Para isso, disse ele, durante um evento em São Paulo, o governo poderá lançar mão da liberação dos compulsórios bancários (depósitos à vista obrigatórios) para evitar a escassez do crédito.

O titular da Fazenda reforçou que o governo possui bastante munição para assegurar o crescimento do país em 2012. "Temos muitos instrumentos para fazer a economia crescer", garantiu ele, reafirmando que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país poderá chegar, no ano que vem, a 5%. Mas, neste ano, a atividade econômica estagnou no terceiro trimestre — o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) foi nulo — e, segundo dados levantados pelo Banco Central, já começou com retração nos últimos três meses do ano. Esses dados dão motivos, na visão do ministro, para que o BC siga na flexibilização da política monetária com mais cortes na taxa básica de juros (Selic).

Competitividade Em razão das medidas restritivas adotadas no início de 2011 e do agravamento da crise europeia, o Brasil deverá avançar, segundo Mantega, pouco mais de 3% neste ano. "A contração monetária que colocamos desde o fim de 2010, com o aumento dos compulsórios, acabou causando uma desaceleração da economia principalmente no terceiro trimestre. Agora, estamos na posição inversa e devemos continuar com uma política de flexibilização monetária", afirmou ele.

Mantega destacou ainda a necessidade de o país impor limites à volorização do real frente ao dólar, para que os produtos nacionais não percam competitividade em relação a seus concorrentes estrangeiros. Se o Brasil sofrer nova crise de crédito e falta de dólares, por conta da instabilidade internacional, o governo vai liberar os compulsórios. "Temos R$ 430 bilhões, caso haja falta de crédito", disse. Em 2009, o país usou esse mesmo tipo de expediente. Além disso, o Brasil conta com recursos das reservas internacionais, que oscilam em torno dos US$ 350 bilhões. "Se faltar crédito em dólar, podemos gerar uma oferta de dólares para o mercado interno", reforçou.