Título: Crise afeta percepção
Autor: Cristino, Vânia ; Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 17/01/2012, Economia, p. 9
A crise externa, na visão de especialistas, ainda pode afetar a economia brasileira, o que deve dominar a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) hoje e amanhã. O rebaixamento da nota soberana da França, de triplo A para AA+, e de mais oito países da Zona do Euro, evidenciam que a situação está complicada. Mas economistas argumentam que não houve uma ruptura, e um cenário mais catastrófico está fora do horizonte de curto prazo. Ainda assim, o governo não quer arriscar e prepara cortes de gastos para ajudar o Banco Central a garantir uma economia sólida.
"Se o governo lançar mais um pacote fiscal, os juros podem chegar a um dígito em março", observou Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora. Até lá, todos apostam em mais uma queda de 0,50 ponto. O mercado pondera, entretanto, que a despeito de todos os estímulos à economia, o Brasil registrará expansão em torno de 3,3% ao fim de 2012. Para o BC, essa taxa deve ficar próxima de 3,5%.
Aurélio Bicalho, do Itaú Unibanco, avalia que os dados do fim de 2011 comprovam que a atividade econômica voltou a crescer, mas ainda há muita incerteza no horizonte. "A velocidade de expansão no ano vai depender da evolução do cenário internacional e da reação da economia aos estímulos já dados, como o aumento do salário mínimo, o corte de impostos em eletrodomésticos e um declínio na taxa de juros real", explicou.