Camilla Veras Mota
A taxa de desemprego deve ultrapassar 13%, passando de 12,6% em janeiro a 13,2% no trimestre móvel encerrado em fevereiro, conforme a média de 24 projeções colhidas entre consultorias e instituições financeiras pelo Valor Data. As estimativas para a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que será divulgada hoje, variam de 12,8% a 13,4%. No mesmo período do ano passado, o indicador era três pontos percentuais menor, 10,2%.
Na avaliação de Rafael Leão, economista da Parallaxis, a elevação do desemprego será resultado tanto do avanço das demissões quanto da maior procura dos trabalhadores por recolocação. Na comparação com os três meses encerrados em fevereiro de 2016, estima ele, a ocupação recuará 2%, enquanto a força de trabalho avançará 2,4%. Se isso for confirmado, será uma aceleração expressiva em relação a janeiro, quando a população economicamente ativa cresceu 1,5%, e à media de 2016, 1,5%.
A equipe da Tendências Consultoria, que prevê desemprego de 13,3% em fevereiro, espera queda de 1,8% da população ocupação e alta de 1,7% da força de trabalho. O UBS projeta retração semelhante para o nível da ocupação, mas avanço mais modesto da PEA, de 1,3%. Com essa combinação, a taxa cresceria a 12,9%, nível que, descontados os efeitos sazonais, equivaleria ao observado em janeiro, 12,8%.
Graças ao impacto positivo da desaceleração da inflação, a renda média real avançaria 2,3% na comparação com igual intervalo do ano passado, calcula a equipe do banco suíço, contra alta de 1,3% em janeiro. Assim, a massa de rendimentos entraria em território positivo pela primeira vez em 17 meses, um aumento de 0,5%. Leão, da Parallaxis, pondera que a maior procura por novas vagas nos próximos meses tende a ter impacto negativo sobre os salários, já que a concorrência passará a ser maior.
Os economistas Bruno Ottoni e Tiago Barreira, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), observam que, ao contrário das cinco últimas recessões pelas quais o Brasil passou, desde 1992, o ritmo de queda da renda foi menor, de 0,11% em média por trimestre, contra redução de 0,47% nos outros períodos. O avanço do desemprego, por outro lado, foi maior. "A crescente formalização da economia fez aumentar a inflexibilidade dos reajustes salariais, dada a maior exposição dos contratos de trabalho à legislação trabalhista", argumentam.
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Camilla Veras Mota
Com resultados ainda bastante negativos no comércio e nos serviços, a atividade econômica continuou em retração no primeiro mês de 2017, em nível próximo da queda registrada em dezembro. A média de 22 estimativas colhidas pelo Valor Data entre consultorias e instituições financeiras sinaliza contração de 0,28% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) sobre o último mês do ano passado, quando já havia recuado 0,26% em relação a novembro, na série com ajuste sazonal.
As projeções para o indicador, que será divulgado hoje e que tenta antecipar a dinâmica do Produto Interno Bruto (PIB), variam de queda de 0,75% a alta de 0,1%. No confronto com janeiro de 2016, a média de estimativas indica recuo de 0,59%.
A surpresa negativa com o desempenho dos serviços no mês é a principal explicação para as expectativas negativas. Em janeiro, o volume de serviços prestados encolheu 2,2% em relação a dezembro, a maior queda observada na série da pesquisa do IBGE, que começa em 2012. Após a divulgação, feita na quarta-feira, a Pezco, por exemplo, revisou a alta antes prevista de 0,14% para retração de 0,62%.
A queda expressiva dos serviços prestados às famílias, de 3,6%, era de certa forma esperada, diz Helcio Takeda, economista da consultoria. O que chamou a atenção foi o recuo de 0,7% nos serviços de transporte. "Achávamos que o fundo do poço já tinha chegado para esse segmento, porque ele tem relação direta com a atividade das empresas."
A equipe do Bradesco destaca o comportamento também frustrante do varejo. No conceito restrito, que exclui automóveis e material de construção, as vendas em volume caíram 0,7% sobre dezembro, contra estimativa de alta de 1,3% da instituição. Em relatório, os economistas avaliam que os números de janeiro confirmam a expectativa de retomada lenta da economia, com crescimento do PIB no primeiro trimestre, que eles estimam em 0,3%, garantido em boa parte pelo setor agropecuário.
A expectativa de safra recorde, ao lado da recuperação dos preços de commodities minerais, devem dar contribuição positiva importante para as exportações em 2017, diz Takeda. Para ele, a indústria, apesar de ter diminuído a produção em 0,1% em janeiro, na comparação com dezembro e excluídos os efeitos sazonais, tem dado sinais mais claros de recuperação. No confronto com o mesmo mês do ano passado, a alta de 1,4% foi a primeira após 34 meses consecutivos de queda.