Também foram denunciados, por corrupção ativa, o bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o empresário e ex-proprietário da Delta, Fernando Cavendish e ainda o ex-diretor regional da construtora Claudio Dias de Abreu.
"O papel do acusado Marconi Perillo, então governador do estado de Goiás, era central. Com a assunção à chefia do executivo estadual em 01/01/2011, Perillo chancelou o violento aumento do número de contratos de diversas áreas da administração pública à Delta Construções, em virtude do que recebeu vantagens indevidas dos demais acusados, por meio de empresas fantasmas criadas para tanto", relata a denúncia em seus 12 volumes.
De acordo com a acusação, Cachoeira, Cavendish e Abreu pagaram uma dívida de R$ 90 mil que o governador tinha com o marqueteiro Luiz Carlos Bordoni.
Dois depósitos de R$ 45 mil cada teriam sido realizados em abril e em maio de 2011, segundo a PGR. Em troca, Perillo teria assegurado a elevação dos valores dos contratos mantidos pela Delta com o governo goiano, ainda que não fossem financeiramente vantajosos à administração pública.
A acusação foi feita pelo vice-procurador-geral, José Bonifácio Borges de Andrada, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) porque chefes de Executivo estadual têm privilégio de foro na corte. O relator da denúncia é o ministro Humberto Martins, da Corte Especial e vice-presidente do STJ. Caberá a ele decidir pela abertura de ação penal ou pelo arquivamento da denúncia contra Perillo.
A PGR juntou à investigação demonstrativos da evolução do número de contratos conquistados pela Delta com o governo de Goiás depois da eleição de Perillo, em 2010. O tucano está hoje em seu quarto mandato como governador goiano.
"A evolução dos valores dos contratos da Delta Construções ao longo dos anos, pulou da casa dos R$ 5 milhões para a dos R$ 70 milhões após a posse de Marconi Perillo como governador do Estado de Goiás", narra a denúncia.
A PGR afirma ainda, na acusação, que houve o direcionamento das obras para a Delta, por ordem do governador Marconi Perillo.
Procurado, o governador de Goiás afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que "não há qualquer [sic] fundamento para a abertura de uma ação penal, com a plena convicção de que ela será arquivada antes da instauração do processo legal".
O comunicado diz ainda que "o andamento das apurações demonstrou que os fatos em questão, bem como os demais a elas relacionados, não foram comprovados, e não houve qualquer benefício ou vantagem a pessoas ou empresas".
Ainda segundo a nota, as vantagens citadas na denúncia "sequer 'en passant' foram comprovadas, circunstância que mantém a confiança da defesa e do governador Marconi Perillo no Poder Judiciário".
O comunicado afirma também que a investigação inicial envolvia fatos que foram arquivados.
"Quanto à questão restante, há completa tranquilidade quanto ao seu enfrentamento e também seu arquivamento", conclui a nota.