Título: Proposta russa na ONU
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Fonte: Correio Braziliense, 16/12/2011, Mundo, p. 18
A Rússia surpreendeu a comunidade internacional e apresentou ontem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas um projeto de resolução que condena a violência na Síria, porém menciona as violações de direitos humanos cometidas por "todas as partes", segundo a agência de notícias France-Presse. O governo de Moscou, aliado-chave do presidente Bashar Al-Assad, vinha bloqueando sistematicamente no conselho o exame de qualquer texto condenando o regime pela repressão ao movimento pela democracia. Em nove meses, a ONU contabiliza pelo menos 5 mil mortos, a maioria manifestantes abatidos pelas forças de segurança — que, segundo a organização humanitária Human Rights Watch, têm ordens superiores de "atirar para matar".
O embaixador francês na ONU, Gerard Araud, considerou "extraordinária" a iniciativa russa e disse esperar que, com ela, o conselho saia da "inação". Mais cautelosa, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ressaltou apenas a oportunidade para contornar o impasse sobre a Síria. "Estudaremos cuidadosamente a proposta e esperamos poder trabalhar com os russos", disse. Falando sob anonimato, um diplomata ocidental considerou o texto "desequilibrado", por equiparar a violência sistemática do regime sírio a ataques pontuais de extremistas armados e desertores contra soldados e militares. "O texto apresentado merece muitas emendas, mas podemos negociar a partir dele", concordou o representante francês.
Desertores das tropas leais a Assad foram a fonte de um relatório no qual a Human Rights Watch (HRW) afirma que o regime deu aos militares ordens explícitas para reprimir os protestos "usando todos os meios necessários".
Segundo o informe, entre cerca de 60 entrevistados, metade afirmou ter sido instruído a "atirar para matar" contra os manifestantes. Os confrontos continuaram ontem, com saldo de ao menos 29 mortos, incluindo 27 homens das forças de segurança.