Para tucanos, presidente deve acabar mandato
Daniel Weterman e Roberta Pennafort
05/04/2017
FHC afirma que PSDB ‘não tinha alternativa’ ao entrar com ação no TSE para cassar chapa
Líderes tucanos defenderam ontem o presidente Michel Temer, no dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu o início do julgamento da chapa na qual o peemedebista disputou junto de Dilma Rousseff a eleição de 2014. A ação na corte eleitoral foi aberta naquele mesmo ano por um pedido do PSDB.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que seu partido “não tinha alternativa” em 2014 a não ser propor a ação de cassação da chapa Dilma- Temer por conta de abuso de poder econômico na campanha eleitoral daquele ano.
“Na época, o PSDB não tinha muita alternativa, porque parecia que havia e, como está se vendo, houve abuso do poder econômico”, disse FHC, ontem, em uma conferência na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio. “Agora, a interpretação se pega os dois (Dilma e Temer) ou não, se é suficiente ou não, isso não cabe aos observadores nem aos políticos julgar.” Nas alegações finais entregues à corte eleitoral na semana passada, o PSDB considera o peemedebista isento de “qualquer prática ilícita”.
No evento da ABL, o ex-presidente não comentou o adiamento do julgamento pelo TSE.
“Não sou jurista, não entendo dessas peculiaridades do processo.
Se adiaram, têm alguma base para isso”, afirmou FHC.
Torcida. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu ontem que Temer termine o mandato, ao fim de 2018, e que não seja cassado pelo TSE. Em coletiva de imprensa após discursar na terceira edição do Summit Imobiliário, realizado pelo Grupo Estado e pelo Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Alckmin disse que “torce” para que Temer termine o mandato.
“Claro que eu torço para que o presidente chegue ao final do seu mandato. Eu acho que nós já tivemos tanta turbulência.” No mesmo evento, o prefeito de São Paulo, João Doria, afirmou que é melhor para o Brasil se o presidente não for cassado e terminar o mandato. “Uma eventual limitação desse processo, a meu ver, provocaria uma grande instabilidade no País. Não vejo condições de o Brasil suportar mais um processo de turbulência desta ordem e, sinceramente, não vejo necessidade, ainda que respeite as decisões do legislativo e, principalmente, do judiciário”, disse.
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'Governo é seleção de Dunga'
Julia Lindner
05/04/2017
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), falou ontem em “convergência” no discurso com o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparou a gestão Michel Temer à seleção brasileira da era Dunga e afirmou que, se continuar como está, “o governo vai cair para um lado e o PMDB para o outro”.
Preocupado com sua reeleição e a de seu filho, Renan Filho (PMDB), atual governador de Alagoas, Renan estaria articulando uma aliança com Lula. “Para quê (a aliança)? Isso só em 2018. Porque há uma convergência no discurso? Imagina se eu estou preocupado com candidatura, eleição”, disse.
“Será que Michel acha que meu discurso está dessintonizado com o dele? Eu não sei, ele nunca me disse isso”, afirmou o senador. O parlamentar, no entanto, disse que “sempre” conversa com Temer sobre política econômica.
Mais cedo, o líder do PMDB afirmou que “ainda não” rompeu com o governo Temer e o comparou à seleção brasileira do técnico Dunga. “O Brasil está cobrando que o governo parece mal escalado. O governo, como está, parece a seleção do Dunga. Queremos a seleção do Tite para dar a escalação do País”, disse, se referindo ao atual técnico do time.
Descontentes. Ontem à noite, Renan organizou um jantar na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) com a bancada peemedebista para buscar apoio no embate que trava com o Planalto em relação às reformas econômicas.
Em conversa reservada com jornalistas, ele afirmou que “o governo é temporário”, diferentemente do seu partido, “que já prestou relevantes serviços ao País e vai continuar prestando”. “O PMDB vai ter de patrocinar as reformas vindas do Planalto sem discutir? Se continuar assim, vai cair o governo para um lado e o PMDB para o outro.
É uma questão política, não é pessoal.”
‘Mal escalado’
“O governo, como está, parece a seleção do Dunga. Queremos a seleção do Tite para dar a escalação do País.”
Renan Calheiros (AL)
LÍDER DO PMDB NO SENADO
O Estado de São Paulo, n. 45095, 05/04/2017. Político, p. A7.