Incerteza leva banco a reduzir projeção para o PIB
Sergio Lamucci
23/05/2017
A nova crise política levou o Banco Fibra a reduzir a estimativa para o crescimento neste ano e no próximo. Com as denúncias contra o presidente Michel Temer, o economista-chefe do Fibra, Cristiano Oliveira, revisou a projeção de 2017 de 1% para 0,5% e a de 2018 de 3,5% para 2,5%. Em relatório divulgado ontem, Oliveira destaca que, "na semana passada, uma nova crise política iniciou-se e atingiu em cheio a economia brasileira, trazendo uma série de incertezas que afetou o preço dos ativos". Para ele, o novo imbróglio não terá um desfecho rápido e afeta negativamente o lado real da economia.
Oliveira aponta três fatores principais pelos quais a atividade econômica será afetada. O primeiro é o aumento das incertezas, "que deve reduzir ou limitar a melhora dos índices de confiança e assim potencialmente atingir as decisões de consumo e investimento". O segundo é o aumento dos juros futuros, o que diminui pelo menos em parte a eficácia do atual ciclo de afrouxamento monetário. Por fim, "a súbita depreciação da taxa de câmbio", diz Oliveira, "tem característica contracionista e inflacionária no curto prazo".
Ao comentar a crise, Oliveira reitera que não acredita num término rápido e, qualquer que seja o desfecho, reconquistar maioria para aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano parece difícil.
Oliveira não mudou a sua estimativa de inflação para 2017 e 2018. As projeções continuaram em 3,9% para este ano e em 4,5% no ano que vem, embora ele pondere que há um viés de baixa para a previsão do próximo ano. Ele espera que o dólar continue no intervalo de R$ 3,20 a R$ 3,40 nas próximas semanas, "enquanto o quadro político continuar mostrando volatilidade".
Por enquanto, ele não alterou a projeção para a Selic no fim do ciclo de corte de juros, atualmente de 7% ao ano. Hoje, a taxa está em 11,25%. Para a reunião do Comitê de Política Monetário (Copom) a ser realizada no fim do mês, ele passou a trabalhar com um corte de 1 ponto percentual, não vendo espaço para o BC acelerar a redução para 1,25 ponto, dada a nova crise política.
Valor econômico, v. 17, n. 4260, 23/05/2017. Brasil, p. A3.