Empresário, deputado é ‘novato’ em Brasília

Tânia Monteiro e Renan Truffi

24/05/2017

 

 

GOVERNO SOB INVESTIGAÇÃO / Rodrigo Rocha Loures, deputado federal afastado (PMDB-PR)

As imagens do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) correndo com uma mala contendo R$ 500 mil causaram “espanto” e “perplexidade” até mesmo em seus poucos desafetos na política.

Tanto seus colegas de Congresso como os do Palácio do Planalto admitem “surpresa” com sua suposta atividade de operador, segundo a versão de delatores da JBS.

Antes de ficar famoso nacionalmente, Rocha Loures, hoje com 50 anos, era nome pouco conhecido fora de Brasília. O homem que teria sido indicado para negociar com o empresário Joesley Batista, dono da rede de frigoríficos e delator, começou a alçar voos mais altos na política somente em 2011.

Na ocasião, foi convidado pelo então vice-presidente Michel Temer para ser seu chefe de gabinete. A aproximação entre os dois começou em 2007, quando ambos conviveram na Câmara.

Recém-chegado a Brasília, Rocha Loures tinha emergido de uma carreira na empresa da família: a Nutrimental.

Fundada em 1968 por seu pai, a empresa de São José dos Pinhais, no Paraná, ganhou fama no mercado depois de criar a linha de barra de cereais Nutry, projeto atribuído ao deputado depois que este concluiu o curso de administração na Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

A experiência nos negócios e a tradição da família no Paraná empurraram o jovem para a política.

Em 2003, Rocha Loures teve sua primeira experiência na gestão pública, como chefe de gabinete do governo do Estado do Paraná, durante mandato de Roberto Requião (PMDB-PR). “Não consigo imaginar o Rodriguinho articulando essa patifaria. São as más companhias”, disse Requião.

No Congresso, tinha poucos inimigos, que o classificam de “bajulador” e “vaidoso”.

Assessor. Para Temer, Loures é de ‘boa índole’

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Ex-vice do DF era negociador conhecido

Leonencio Nossa e Carla Araújo

24/05/2017

 

 

Tadeu Filippelli, ex-assessor de Temer e ex-vice-governador do DF

Preso ontem por suposto envolvimento em desvios de dinheiro nas obras do Estádio Mané Garrincha, o peemedebista Tadeu Filippelli, 67 anos, ganhou no ano passado um cargo de assessor especial do presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto, pela fama de saber negociar cargos e emendas com parlamentares independentemente de partidos. No currículo dele estão relações estreitas com três polos rivais que dominaram a política da capital.

Criado no ninho do PMDB do ex-governador Joaquim Roriz, figura popular na história recente de Brasília, ele se afastou de “pai Roriz” para se aliar a José Roberto Arruda, do então PFL, que ganhou o governo distrital em 2006, e, após controlar parte dos cargos do pefelista, se elegeu, em 2010, vice-governador na chapa de Agnelo Queiroz, do PT.

Filippelli controlou e conheceu como poucos a máquina de obras de Brasília. Engenheiro eletricista e funcionário da Companhia Energética de Brasília (CEB), foi secretário de Infraestrutura e Obras de Roriz entre 1999 e 2003.

Aos poucos, conseguiu o controle regional do PMDB, a ponto de romper com o padrinho e obrigar o campeão de votos das cidades-satélites do Distrito Federal a deixar a legenda.

Com o partido nas mãos, Filippelli ainda avançou sobre o PP e ajudou a eleger Arruda. O preço pelo apoio incluiu a Novacap, empresa que controla terras do Distrito Federal e uma série de cargos em setores diversos do Palácio do Buriti.

Chapa. Em 2010, ensaiava novo acordo, agora de reeleição de Arruda, quando o governador caiu no “mensalão do DEM”. O peemedebista foi além de uma costura com o Planalto, na época do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para evitar a intervenção no governo do Distrito Federal.

Filippelli saiu das conversas com os petistas como candidato a vice da chapa do partido, encabeçada por Agnelo Queiroz.

Manteve o poder no setor de obras do governo do Distrito Federal. Assim, garantiu espaço privilegiado em todas as etapas da reconstrução do Estádio Mané Garrincha, uma obra que ultrapassou governos de partidos distintos, mas erguida sempre em paralelo à influência de Filippelli.

Antes de chegar ao círculo próximo de Temer, Filippelli passou por três eleições bemsucedidas a deputado federal.

Com salário de R$ 12 mil, trabalhava no 3.º andar do Planalto, mesmo pavimento do gabinete presidencial. Ocupava cargo que tinha sido do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), na articulação com deputados e senadores.

 

O Estado de São Paulo, n. 45144, 24/05/2017. Política, p. A7