EIKE NEGOCIA DELAÇÃO E PREPARA DOCUMENTOS PARA ENTREGAR À PGR

JULIANA CASTRO

15/07/2017

 

 

Empresário, que teve depoimento adiado, deve citar Lula, Cabral e Mantega

O empresário Eike Batista está reunindo documentos e negociando um acordo de delação premiada em que deverá citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB). As conversas envolvem a Procuradoria-Geral da República (PGR), já que Eike aponta nomes de parlamentares — que têm foro privilegiado — de estados em que mantinha negócios. Caso a proposta de delação prospere, a homologação caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF). Eike prestaria depoimento ontem ao juiz Marcelo Bretas, responsável pelos casos da Lava-Jato no Rio, mas a audiência foi adiada para 31 de julho. Eike foi preso em janeiro, na Operação Eficiência, acusado de pagar propina de US$ 16,5 milhões a Cabral, mas cumpre prisão domiciliar desde abril. A força-tarefa da Lava-Jato no Rio também aponta o pagamento de propina de R$ 1 milhão de Eike a Cabral por meio do escritório de advocacia da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo. A expectativa é que o empresário explique as duas transações. O empresário também deve falar sobre casos em que já foi citado em outras delações premiadas.

O ex-marqueteiro do PT João Santana e sua mulher, Mônica Moura, contaram que o empresário pagou dívidas de campanha do partido, como a do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Após a divulgação dos depoimentos do casal, Haddad negou as acusações. Já o operador de propinas do PMDB Fernando Baiano afirmou que o grupo OSX, de Eike, tinha interesse no pacote de 28 navios-sonda lançado pela Sete Brasil, empresa criada pela Petrobras. Baiano contou que buscou ajuda do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, para abrir portas para a OSX na Sete Brasil. A defesa de Eike não se manifestou.

O globo, n.30658 , 15/07/2017. PAÍS, p. 7