Título: Oposição condena
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 01/02/2012, Mundo, p. 12
Dissidentes do regime cubano não esconderam sua decepção com a recusa da presidente Dilma Rousseff a abordar a questão dos direitos humanos e condenar o tratamento dispensado aos opositores de Raúl Castro. José Daniel Ferrer permaneceu oito anos e cinco dias em várias prisões, em Gantánamo e em Camaguey, onde contou que dividia o espaço da cela com ratos e baratas.
"A visita de Dilma é sobre a violação dos direitos humanos em Cuba", criticou. "Ela está na nação que mais os viola no continente, onde não há imprensa livre, nem manifestações pacíficas, nem liberdades individuais, e só existe um partido", disse ao Correio Ferrer, um dos 75 prisioneiros de consciência detidos em 2002 e liberados nos últimos anos, graças à intercessão da Igreja Católica cubana.
Na opinião dele, por uma questão moral, Dilma deveria se referir a esse tema durante sua estada na ilha. "Todo mandatário deveria", completou. Para Maritza Pelegrino, viúva do preso político Wilmar Villar, a presidente brasileira tinha o dever de abordar o assunto. Wilmar, que tinha 31 anos, morreu em 19de janeiro, após 50 dias de greve de fome para exigir a liberdade. "Somos humanos e necessitamos disso", afirmou. Ela não soube dizer se a atitude de Dilma foi ditada por "algo pessoal". "Os direitos humanos têm de ser defendidos sempre", completou.
A blogueira Yoani Sánchez também foi incisiva ao falar com a reportagem, por telefone. "Se Dilma veio a Cuba e não abordou a situação dos direitos humanos, nem tampouco tratou disso com Raúl Castro, isso serve para medir o grau de compromisso dela com o tema", criticou. (RC)