Título: Ataque ao bloqueio
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 01/02/2012, Mundo, p. 12
Na sua primeira viagem a Cuba como presidente, Dilma criticou o bloqueio econômico americano com palavras e com um pacote de créditos para dois gargalos do processo de reformas implantado nos últimos anos por Raúl Castro: agricultura familiar e compra de alimentos, já que o país importa 70% daquilo que consome. A visitante defendeu a parceria "com o povo cubano", com a meta de fomentar o desenvolvimento, e classificou como dever do Brasil ter "uma política decente de cooperação econômica" com a América Latina, o Caribe e a África.
"Esse processo (o bloqueio americano) leva a mais pobreza e é um problema sério para as populações que sofrem", disse a governante brasileira. "O Brasil hoje participa de várias iniciativas que eu considero importante. A primeira é uma política de alimentos. É impossível se considerar que é correto o bloqueio de alimentos para um povo", continuou. Para este ano, o governo já liberou US$ 70 milhões para que pequenos agricultores adquiram tratores e colheitadeiras, como parte de uma linha de crédito de US$ 200 milhões aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), no âmbito do programa Mais Alimentos.
A contribuição brasileira para a expansão do Porto de Mariel também foi ressaltada pela presidente. "O Porto de Mariel é, de fato, um sistema logístico de exportação de bens produzidos aqui em Cuba, no valor de US$ 900 milhões, dos quais contribuímos com cerca de US$ 640 milhões", afirmou.
Ela espera que a obra ajude a criar condições de sustentabilidade para o povo cubano. Na tarde de ontem, Dilma vistoriou as instalações, a 45km de Havana. (RC)