Título: A locomotiva do Caribe
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 01/02/2012, Mundo, p. 12
Acompanhada do colega cubano, presidente brasileira vistoria as obras de ampliação do Porto de Mariel, vitrine da política de cooperação bilateral. BNDES financia 85% do projeto, que deve estar concluído até 2014
Havana — Aquele que foi colocado na agenda oficial como o ponto alto da visita da presidente Dilma Rousseff a Cuba não teve a cobertura dos jornalistas brasileiros que acompanham a viagem. Por causa do encontro com o ex-presidente cubano Fidel Castro, Dilma chegou com atraso ao Porto de Mariel, principal empreendimento de infraestrutura sendo realizado atualmente na ilha, com financiamento de US$ 683 milhões do governo brasileiro (correspondentes a 85% do valor total), sob responsabilidade da construtora brasileira Odebrecht. Acompanhada do colega cubano, Raúl Castro, a visitante vistoriou as obras de ampliação do complexo portuário, enquanto a imprensa aguardava do lado de fora do canteiro.
Localizado 43km a oeste de Havana, Mariel tornou-se um motivo de orgulho para o povo cubano e símbolo da amizade entre os dois povos. Com a decadência da produção açucareira, que foi o carro-chefe da economia cubana no século passado, muitas usinas na região da capital foram fechadas, aumentando o desemprego. A urgência para reaquecer o setor, aliada à janela de oportunidade aberta pelas reformas iniciadas nos últimos anos por Raúl, levaram o Brasil e a ilha socialista a firmar uma parceria de US$ 957 milhões para fazer do porto ampliado a locomotiva de um novo ciclo de desenvolvimento, agora sintonizado com a economia mundial globalizada.
A Odebrecht toca o projeto por meio de uma subsidiária, a Companhia de Obras em Infraestrutura (COI), e recebe o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição já liberou até aqui US$ 300 milhões, e mais US$ 382 milhões foram aprovados recentemente. Os US$ 275 milhões restantes ficarão a cargo do governo cubano.
Entreposto A intenção do regime cubano é transformar Mariel em um terminal internacional de contêineres, para servir não apenas ao próprio país, mas aproveitar o complexo como um entreposto para o comércio exterior dos vizinhos centro-americanos e caribenhos. As obras, iniciadas no primeiro trimestre de 2010, devem estar concluídas em 2014 e contam com a cooperação da Quality, uma companhia vinculada ao Ministério da Construção cubano.
Assim que estiver pronto, o “novo” porto terá mais 18km de estradas, 63km de superestrutura para ferrovias e 13km de vias ferroviárias. Mais de 30km de estradas serão reabilitadas e um canal será dragado, bem como a bacia de manobras, permitindo que navios de até 15m de calado atraquem. Após a inauguração, em 2014, serão criados 3 mil empregos diretos e 5 mil indiretos.
Para mover até 1 milhão de contêineres por ano, Mariel terá mais 700m de cais e um centro de carga e pátios. Uma de suas características deverá ser a sustentabilidade ambiental: o projeto prevê redes de abastecimento de água e tratamento de resíduos, além de fornecimento próprio de energia elétrica.