Título: No Haiti, pauta inclui migração
Autor: Garcia, Larissa
Fonte: Correio Braziliense, 01/02/2012, Mundo, p. 12

Após a visita a Cuba, a presidente Dilma Rousseff segue hoje para Porto Príncipe, onde participará de um encontro com o presidente haitiano, Michel Martelly. Na ocasião, os chefes de Estado discutirão assuntos relacionados à imigração e à reconstrução econômica e social do país, devastado pelo terremoto de 12 de janeiro de 2010, no qual morreram cerca de 220 mil pessoas.

Durante a reunião, Dilma pretende mostrar que o Brasil, líder da missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, não medirá esforços para reerguer a região. A presidente frisou que o apoio internacional deve ser ampliado a ações sociais. O país conta hoje com um reforço de cerca de 12,2 mil soldados — 2,3 mil brasileiros.

A visita deixou a população e as autoridades locais otimistas. A microempresária haitiana Geraldine Scown contou que a presidente brasileira a inspira. "Ela pode trazer um novo ponto de vista em relação aos problemas do Haiti", opinou. "Ela está na minha lista de mulheres mais fortes e inteligentes." O país sofre com índices elevados de violência e de desemprego, com o crime organizado marcando o cotidiano dos haitianos.

Dilma e Martelly deverão discutir a entrada ilegal de haitianos no Brasil. Na tentativa de minimizar o problema, o governo brasileiro anunciou a regularização desses imigrantes e limitou a emissão de vistos a 1,2 mil por ano para os refugiados haitianos, além dos já concedidos por turismo, estudo e trabalho temporário. As permissões têm prazo de cinco anos. Após esse período, eles deverão comprovar emprego fixo para renovar o visto. Atualmente, cerca de 4 mil haitianos vivem irregularmente no Brasil.