Título: Impasse promete se prolongar
Autor: Sabadini, Tatiana
Fonte: Correio Braziliense, 01/01/2012, Mundo, p. 14

Por conta do debate sobre a crise financeira e a reforma da saúde, é pouco provável que o Congresso americano volte a discutir sobre Guantánamo antes da eleição presidencial de novembro. "O foco continuará nesses assuntos durante toda a campanha. E, infelizmente, a maioria do país não está interessada em Guantánamo. Ou, quando está, fica a favor de penalidades inconstitucionais contra os terroristas, em vez de concentrar esforços nas liberdades civis", lamenta Ivan Eland, do Independent Institute.

Apesar dos possíveis cortes no orçamento militar, o campo de detenção montado na base em Cuba não é prioritário no debate político, apesar dos custos elevados para mantê-la. De acordo com dados da Casa Branca, o Tesouro americano gasta US$ 800 mil por ano com cada prisioneiro. A estrutura no espaço alugado em Cuba — país com o qual os EUA não mantêm relações diplomáticas — é um verdadeiro complexo. Quase 2 mil pessoas, entre militares e civis, trabalham na prisão e vivem na ilha. O local, que começou como um presídio provisório, hoje abriga hospital, escritórios, casas para os funcionários e até mesmo um cemitério. Depois de uma década, a instalação tem cada vez mais características de uma instituição permanente.

O futuro da prisão de Guantánamo é incerto e pode permanecer assim depois da eleição, mesmo sob um possível segundo mandato de Obama. "A não ser que a opinião pública mude nos EUA, não importa que seja o presidente reeleito ou um sucessor republicano: qualquer um deve enfrentar os mesmos dilemas. Um republicano, no entanto, pode afirmar que o objetivo de fechar o presídio pode ser mudado. Se Obama permanecer no poder, o impasse com o Congresso deve continuar", avalia Eland. Para Matthew Waxman, da Universidade de Columbia, uma solução está longe de ser encontrada.

"Guantánamo continuará aberta no futuro. Mesmo com a continuação do atual governo, é pouco provável que Obama possa concentrar as atenções e a energia necessárias para resolver o problema", conclui Waxman. (TS)