Título: Prisões em 19 de dezembro
Autor: Amado, Guilherme
Fonte: Correio Braziliense, 18/01/2012, Política, p. 2

O Correio revelou em 10 de dezembro que Márcia de Fátima, servidora da 2ª Vara do Trabalho do TRT, comandava um esquema em que transferia o dinheiro de depósitos judiciais para a conta bancária dela e a do companheiro, José Aílton da Conceição, além de familiares e amigos. A fraude havia sido descoberta por acaso na primeira semana de dezembro, após uma advogada perceber uma movimentação atípica em um processo que ela acompanhava.

Ao ser presa, em 19 de dezembro, Márcia confessou o crime e disse ter agido sozinha. Na operação intitulada Perfídia, foram cumpridos também mandados de prisão temporária da mãe e de um irmão da servidora e de busca, apreensão e sequestro de bens e valores.

A servidora, que era cedida ao TRT desde 2002 pela prefeitura de Luziânia (GO), usou em benefício próprio a autorização que ela tinha dos juízes da 2ª Vara para administrar os processos. José Aílton aparecia em algumas transações em diferentes funções. Algumas vezes, ele aparecia como advogado, em outras, como beneficiário.

Inicialmente, Márcia de Fátima teria privilegiado antigos processos em que advogados e os próprios beneficiários abandonaram a causa. Aos poucos, ela teria avançado também sobre ações mais recentes. Sempre que algum advogado procurava o tribunal com dúvidas, a servidora, responsável pelo monitoramento dos processos, dava respostas criando justificativas para a demora na liberação dos depósitos. O grupo teria também uma reserva financeira para casos em que as partes reclamavam o dinheiro.