Título: Rombo de US$ 1,29 bi
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 02/02/2012, Economia, p. 15

Atingido pela crise na Europa, o saldo da balança comercial desaba em janeiro e registra o pior resultado da história

A crise financeira na Europa causou fortes estragos nas exportações brasileiras. As vendas externas do país para a União Europeia despencaram 25,2% e contribuíram para o deficit histórico na balança comercial de US$ 1,29 bilhão, o maior em janeiro desde o início da compilação dos dados mensais, em 1973. As exportações no primeiro mês do ano somaram US$ 16,14 bilhões, com alta de apenas 1,3% na média diária. Pelo mesmo critério, as importações deram um salto de 12,3% na e totalizaram US$ 17,43 bilhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

"O ano de 2012 será difícil para o comércio exterior brasileiro. A crise internacional explica os resultados do mês de janeiro, mas ainda conseguimos registrar um leve aumento nas exportações", afirmou, ontem, a secretária de Comércio Exterior do Mdic, Tatiana Prazeres. A seu ver, as inquietações dentro do governo, agora, são bem maiores do que no último trimestre de 2011. "Antes, havia apenas uma redução no crescimento. Agora, é queda. E isso preocupa", reconheceu.

Minério No entanto, Tatiana afirmou que os resultados atuais da balança ainda não confirmam uma tendência de deficit na balança neste ano. "Vamos manter nossas previsões de que encerraremos o ano com superavit. Ele será menor, mas ainda repetindo os mesmos números de exportações de 2011", afirmou. No ano passado, as exportações tiveram salto de 25,8% e totalizaram US$ 256 bilhões. No período, o país registrou um superavit histórico de US$ 29,8 bilhões.

Um dos dados mais preocupantes, segundo Tatiana, foi a redução em 31,1% no valor da média diária dos embarques de minério de ferro. Na comparação com janeiro de 2011, houve queda tanto em quantidade (-20%) quanto em preço (-10%). As vendas do produto para a Europa caíram 60% e foram responsáveis por 22% da redução das exportações brasileiras para lá.