Por: Silvia Amorim
SILVIA AMORIM
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Amém. Com mãos para o alto, os dois presidenciáveis tucanos fazem agenda: “Nós precisamos nos inspirar na Igreja”
SÃO PAULO - Sem a presença do presidente Michel Temer, que cancelou sua participação em cima da hora, um encontro com evangélicos ontem em São Paulo foi a primeira aparição dos tucanos Geraldo Alckmin e João Doria juntos, em público, desde que o prefeito intensificou visitas a outros estados.
Ao lado de lideranças religiosas, Alckmin e Doria cantaram, oraram e discursaram juntos na abertura da Expo São Paulo Cristã. No café da manhã com líderes religiosos, os dois mostraram-se próximos. No palco, Alckmin repetiu o discurso conciliador que faz desde a votação da denúncia contra Temer na Câmara, quando ficou explícito que o PSDB está rachado sobre o apoio ao peemedebista.
— Nós precisamos nos inspirar na Igreja. Nos momentos conturbados, a Igreja é nosso porto seguro. Precisamos deixar essa divisão de nós contra eles para nos unir em torno de valores. Uma casa dividida não caminha — afirmou o governador.
Doria preferiu um tom mais protocolar, destacando a importância do evento e dos valores cristãos.
— Nada se sobrepõe à fé e à oração — disse.
As viagens recentes de Doria têm sido vistas por aliados do governador como sinal de que o prefeito está tentando pavimentar uma candidatura à Presidência, rompendo uma trégua de cerca de três meses entre os dois grupos. Por enquanto, apenas Alckmin se declarou pré-candidato. Doria não descarta concorrer, mas garante que não disputará prévia com o padrinho político.
Se Temer tivesse ido ao encontro de ontem, seria a segunda agenda com Doria em dez dias. No último dia 7, o presidente transferiu parte da área do Campo de Marte para a Prefeitura e chamou Doria de “parceiro” e “companheiro”.
— É inadmissível que brasileiros se joguem contra brasileiros. A história do nós contra eles não pode prevalecer. Nós temos que unir o Brasil — disse Temer naquela ocasião.
PMDB e PSDB vivem um momento tenso. Quase metade da bancada tucana na Câmara votou a favor da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Temer. Entre os paulistas, houve apenas um voto pró-Temer de um total de 12 parlamentares. Aliados do presidente computaram a rebeldia dos tucanos paulistas na conta de Alckmin.
QUARTA BAIXA
Também ontem, a Prefeitura de São Paulo confirmou a exoneração da controladora-geral do município, Laura Mendes de Barros. Essa é a quarta baixa no primeiro escalão da prefeitura em oito meses, sendo a terceira mulher. Já haviam saído Soninha Francine (Assistência Social), Patrícia Bezerra (Direitos Humanos) e Eliseu Gabriel (Trabalho). Em nota, a prefeitura alegou “razões administrativas operacionais”.
Há duas semanas, Laura iniciou uma investigação que apura corrupção em prefeituras regionais para burlar regras de publicidade na cidade.