Título: Queremos proteção
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 09/02/2012, Mundo, p. 20
O presidente Bashar Al-Assad está determinado a esmagar a revolução e a matar o maior número possível de opositores. A opinião é de Ausama Monajed, integrante do Conselho Nacional Sírio (CNS), o único órgão de oposição na Síria. "Eles têm lutado no país inteiro para permanecer no poder, e agora vão entregar tudo em uma bandeja de prata?", questionou, referindo-se à promessa de Al-Assad de realizar um referendo sobre a Constituição. Conselheiro de Burhan Ghalioun, secretário-geral do CNS, ele exige um maior comprometimento internacional para pôr fim à onda de violência, que se arrasta por 11 meses. "Pedimos às nações que tomem todas as medidas para deter a matança", afirmou, em entrevista ao Correio, por e-mail.
O governo dos Estados Unidos fechou a embaixada em Damasco e retirou todo o seu pessoal diplomático. Qual o efeito desta ação? Ainda que a Embaixada dos Estados Unidos tenha fornecido apoio importante e necessário para a revolução, o momento atual exige um isolamento diplomático ainda maior do regime de Bashar Al-Assad. Os EUA provavelmente tomaram essa atitude para serem capazes de pressionar outros países a tomarem a mesma medida. É um passo positivo, que requer medidas adicionais, a fim de pressionar todas as nações árabes.
Esse poderia ser um sinal de intervenção militar norte-americana? O povo sírio está sendo massacrado em todos os níveis, desde que China e Rússia usaram seu poder de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O povo sírio continua a demandar proteção internacional. Não somos a favor da presença de tropas estrangeiras no território sírio, mas pedimos às nações que tomem todas as medidas para deter a matança.
Al-Assad se aproveitou do veto sino-russo para intensificar a repressão? Nos últimos dias, temos testemunhado uma escalada de violência e uma determinação de Assad em "limpar" as cidades e matar o maior número possível de pessoas. O veto de China e Rússia deu luz verde para Al-Assad. Ele sabe agora que não haverá intervenção e que ele pode terminar com a revolução. Informações recebidas de fontes próximas a assessores militares de Al-Assad confirmam uma ordem presidencial para esmagar todos os pontos de protesto.
O presidente sírio prometeu ao chanceler russo, Serguei Lavrov, pôr fim à violência e fazer um referendo sobre a Constituição. Isso é o bastante? Al-Assad não pode parar os massacres cometidos por suas forças. Qualquer reforma constitucional não será considerada séria, sob esse regime. Como eles podem encerrar seu próprio governo? Eles têm lutado no país inteiro para permanecer no poder, e agora vão entregar tudo em uma bandeja de prata? Existe alguma solução para conter a violência em seu país? O Exército Livre Sírio enfrenta atualmente um processo de reestruturação e de organização, segundo a estratégia do Conselho Nacional Sírio. Acreditamos que o apoio internacional ao Exército Livre Sírio aumentou o isolamento político e econômico de Damasco, de uma forma organizada e concertada. Isso vai enfraquecer ainda mais o regime. E vai permitir que os revolucionários ajudados pelo Exército Livre Sírio sejam capazes de restaurar a paz e de pôr fim ao reinado de Al-Assad. (RC)