Título: Mundo pressiona europeus
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Fonte: Correio Braziliense, 29/01/2012, Economia, p. 19
Fórum Econômico Mundial desenha cenário sombrio e vira palco para cobranças de reformas urgentes nos países da Zona do Euro
Davos — Ao prever um futuro sombrio para a Zona do Euro, os líderes políticos e econômicos, incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI), voltaram à carga nas pressões para que Europa tome medidas urgentes contra a crise da dívida e evite o contágio para o restante do mundo. "Ninguém está imune à situação atual europeia, porque o mundo nunca esteve tão interconectado", disse, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. "Por isso, todos têm interesse em que esta crise seja resolvida adequadamente", reforçou.
Lagarde pediu aos líderes europeus, que se reúnem novamente amanhã em Bruxelas, para que ergam rapidamente uma barreira para evitar o contágio da crise, adaptem as medidas de consolidação fiscal à realidade de cada país e incentivem políticas de crescimento, porque, do contrário, a situação pode piorar. Mesmo os Estados Unidos e o Japão, que têm deficits fiscais maiores que o do Velho Continente, também têm feito pressões pela redução das dívidas.
O economista Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York e famoso por suas previsões sobre a crise de 2008, declarou, em Davos, que "há 50% de probabilidade de que a Zona do Euro se desintegre em três ou cinco anos". Roubini disse ainda que a Grécia, que negocia atualmente uma perdão de pelo menos metade da dívida em mãos dos bancos e seguradoras, deverá abandonar a Zona do Euro em um ano e poderá ser seguida por Portugal.
A crise da dívida já comprometeu também os motores econômicos europeus, Alemanha e França, sendo que Paris, segundo Roubini, deve terminar na "periferia" da Zona do Euro, independentemente do vencedor das próximas eleições presidenciais. "As políticas de austeridade extrema adotadas pelos países com problemas para reduzir os abismais deficits orçamentários levarão a Zona do Euro para a recessão", afirmou o economista. Para o FMI, a região entrará em recessão em 2012, com uma contração de 0,5% no PIB. A Espanha, um dos países mais atingidos pela crise, deve apresentar uma contração de 1,7% em 2012 e uma queda de 0,3% em 2013. Já a Itália cairá 2,2% em 2012, disse o Fundo.
Porto Alegre No Brasil, no documento final do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, os movimentos sociais de todo o mundo conclamaram os "os povos a não continuarem pagando pela crise". Maior evento anticapitalista internacional, o encontro repudiou "as medidas de austeridade apresentadas em pacotes econômicos que, na verdade, privatizam bens, reduzem salários e direitos, multiplicam o desemprego e exploram de maneira errônea os recursos naturais". Cerca de 40 mil pessoas participaram da última edição do fórum, convocada para definir a posição das organizações sociais na próxima conferência da ONU Rio+20, que deverá exigir o comprometimento dos líderes mundiais com uma nova economia verde e social.
Brasil apela por Doha Brasil, Índia e África do Sul, que integram o Ibas, aproveitaram a 42ª reunião do Fórum Econômico Mundial, que termina hoje em Davos, na Suíça, para expressar o desejo de retomada das discussões da Rodada Doha, iniciada em 2001 na capital do Catar com o objetivo de retomar a liberalização do comércio global. Os países pediram a conclusão da rodada "o mais rapidamente possível, com base nos progressos já alcançados".
Spanair para de voar e lesa 22 mil Cerca de 22 mil passageiros foram atingidos neste fim de semana com a suspensão, sem aviso prévio, das operações da Spanair, a segunda maior companhia aérea da Espanha. O último voo programado aterrissou na sexta-feira à noite. Fundada em 1986, a empresa tentava sobreviver por meio de uma aliança com a Qatar Airways, que não foi formalizada. Antiga filial da escandinava SAS, no início de 2008 a Spanair passou para o controle de acionistas espanhóis, entre eles órgãos públicos da região da Catalunha. Em janeiro de 2011, recebeu um empréstimo de emergência de 10,5 milhões de euros das autoridades autônomas catalãs. O governo espanhol anunciou ontem que notificou a Spanair sobre a abertura de um processo que prevê sanções que podem chegar a 9 milhões de euros.