O globo, n.30825 , 29/12/2017. RIO, p. 11

Para Jungmann, Forças Armadas geram expectativa ‘ salvacionista’

EDUARDO BRESCIANI

29/12/2017

 

 

Ministro diz que militares são apenas auxiliares em ações do estado

 O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou ontem que as Forças Armadas são apenas auxiliares no Rio e enfatizou que a liderança das ações é da Secretaria de Segurança do estado. Ele disse ainda que há uma expectativa “salvacionista” em relação ao militares, mas que não é possível resolver a questão desta forma. Segundo Jungmann, já chegou ao ministério um pedido do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, para a renovação da Garantia da Lei e da Ordem ( GLO) para o ano de 2018. O titular da pasta garantiu que o tema será discutido nos próx imos dias com o presidente Michel Temer e que pretende incluir na negociação um “protocolo” para tentar deixar mais clara qual será a função das Forças Armadas e quais atribuições são de responsabilidade do Estado do Rio. — Sempre dissemos que a liderança desse processo seria da segurança pública do Rio, não das Forças Armadas. Há uma expectativa salvacionista em torno delas. As Forças se dispuseram para serem auxiliares e não falharam em nada. Não é uma intervenção. A liderança não é nossa. Somos auxiliares — disse o ministro, que acrescentou: — Nós não assumimos o Rio de Janeiro, nós nos emparceiramos no Rio.

Jungmann afirmou que a atuação das Forças Armadas se limitam à inteligência, à varredura e ao fechamento de comunidades para que os órgãos de segurança locais atuem, por exemplo, no cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão. — O que nós fizemos, basicamente, é trabalhar integradamente e quando há operações. Quem faz busca, apreensão e captura são as forças policiais. Não temos autorização para isso. Fechamos comunidades para liberar policiais para que subam no morro. Eles conhecem melhor que nós e realizam busca e apreensão. As Forças Armadas atuam em inteligência, varredura e fechamento de comunidades — ressaltou. O ministro disse que já falou com o secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, e que espera receber dados sobre a área que comprovem que houve estabilização e, em alguns casos, redução dos índices de violência no estado.

GASTO DE R$ 42,2 MILHÕES

Ontem, o GLOBO mostrou que desde a assinatura do decreto de GLO, em 28 de julho, foram realizadas 14 operações em apoio à PM e à Polícia Civil, mas os resultados não saltaram aos olhos. Estatísticas de crimes praticados de agosto a novembro mostram que houve um aumento de 25% nos registros de roubos de veículos em comparação com o mesmo período de 2016, enquanto índices de homicídios dolosos, roubos de cargas e de pedestres permaneceram em patamares elevados. A União informou anteontem que os gastos com o conjunto de operações “O Rio quer segurança e paz”, realizadas pelo Exército, pela Marinha e pela Aeronáutica, chegaram a R$ 42,2 milhões, sendo que ainda podem bater o orçamento de R$ 47 milhões, já que parte das contas ainda não foram liquidadas.