O globo, n.30712 , 07/09/2017. PAÍS, p. 5

PT afirma que é perseguido por ‘setores da Justiça’

 

 

Partido alega que há tentativa de ‘sujar biografia’

O PT rechaçou as denúncias feitas pelo ex-ministro Antonio Palocci de que o partido teria recebido R$ 300 milhões da Odebrecht. Em comunicado divulgado após o interrogatório de Palocci, a Executiva Nacional afirmou que o depoimento é outra tentativa da Lava-Jato de incriminar o ex-presidente Lula e que torna clara a “perseguição política movida por setores da Justiça contra o PT”.

Na nota, o PT afirma que, como outros réus da investigação, o ex-ministro mudou seu depoimento em busca de uma redução de pena.

“Palocci já havia prestado depoimento, em maio deste ano, e negado todas as acusações, repetindo a estratégia de outros acusadores como Delcídio do Amaral e Léo Pinheiro, que voltaram atrás em seus depoimentos, buscando a diminuição de suas penas, depois de permanecerem presos por um longo tempo”, disse a nota.

O juiz Sergio Moro também já concedeu benefícios a outro acusado da Lava-Jato, Renato Duque, ex-diretor da área de Serviços da Petrobras. Duque quebrou um silêncio de dois anos e afirmou ao juiz Sergio Moro que o ex-presidente Lula sabia da corrupção na Petrobras. Segundo as investigações, Duque era o diretor da Petrobras indicado pelo PT.

 

OKAMOTO NEGA ATO ILÍCITO

O partido também questionou o fato de as acusações de Palocci, assim como as de Duque e Léo Pinheiro, ocorrerem próximas a um dos depoimentos do ex-presidente Lula, que será interrogado por Moro na próxima quarta-feira.

“O PT se solidariza com o expresidente Lula, que nos últimos anos teve sua vida devassada sem que houvesse sido encontrado qualquer vestígio de enriquecimento pessoal que manchasse sua biografia”, afirmou o partido.

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também rebateu as acusações feitas pelo exministro de que teria pedido R$ 4 milhões em espécie para cobrir gastos de final de ano do instituto. Palocci diz que pediu o dinheiro a Marcelo Odebrecht, que concordou com a quantia.

Paulo Okamotto, por meio de seu advogado, Fernando Fernandes, afirmou que o Instituto Lula recebeu os valores como doação, de forma legal.

— Okamotto só respondeu a uma ação e foi absolvido porque as provas demonstraram que valores doados ao Instituto e para o acervo presidencial foram na forma da lei — afirmou o advogado.

A ex-presidente Dilma não se manifestou sobre as acusações de Palocci até o fechamento desta edição.