Título: Em cima da risca
Autor: Craveiro, Rodrigo
Fonte: Correio Braziliense, 16/02/2012, Mundo, p. 22

O anúncio de Mahmud Ahmadinejad parece ter sido calculado milimetricamente para desmerecer o impacto das sanções ocidentais sem alimentar as já nutridas suspeitas quanto a objetivos militares do programa nuclear iraniano.

O gesto simbólico de suprir um reator com varetas de combustível de fabricação própria equivale a dizer que o país se encaminha à auto-suficiência nesse terreno, a despeito das restrições econômicas e comerciais que vem sofrendo. Mais, até, implica o domínio completo do ciclo do combustível nuclear.

Produzir urânio enriquecido no teor e na quantidades suficientes para abastecer os próprios reatores não configura violação do Tratado de Não Proliferação (TNP), do qual a República Islâmica é signatária. Ao contrário, assinar o TNP é o que dá a um país o direito a dominar o ciclo do urânio — mediante a contrapartida da verificação das instalações pela AIEA.

No ponto em que está, o Irã se equipara a países como Japão, África do Sul e outros que, embora tenham publicamente renunciado a desenvolver a bomba atômica, podem fazê-lo em pouco tempo, se assim decidirem. Para fins estratégicos de defesa, muitas vezes é o suficiente.