Título: Indústria diz faltar dados
Autor: Filizola, Paula ; Castro, Grasielle
Fonte: Correio Braziliense, 14/02/2012, Brasil, p. 7

Com presença confirmada na audiência pública de hoje, o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke, diz que a restrição proposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária não é baseada em dados científicos. "Os estudos existentes não atestam claramente os benefícios da medida. Vale ressaltar que os índices de prevalência de fumantes em países que utilizam ingredientes, como é o caso do Brasil, dos Estados Unidos e da Alemanha, são similares aos do Reino Unido, da Austrália e do Canadá, países que, por circunstância de mercado, historicamente não usam ingredientes como açúcar", explica.

A legislação vigente do Canadá restringe o uso de qualquer tipo de ingrediente, exceto o mentol, que, para eles, é considerado indispensável no processo de fabricação do cigarro. Lá, eles não utilizam o tipo de fumo burley, que precisa da adição de açúcar no processo. Nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália, o uso do mentol também é permitido.

No Brasil, o sabor menta faz parte da lista de ingredientes da indústria de cigarro desde 1920 e também é comercializado na indústria alimentícia. Dados do setor fumígeno indicam que hoje o cigarro mentolado corresponde a cerca de 3% do mercado legal de cigarros.

Em meio ao debate da Anvisa pela proibição dos ingredientes na produção de cigarros, uma pesquisa da Associação de Controle ao Tabagismo (ACT) mostra que 75% dos entrevistados — homens e mulheres brasileiros acima de 16 anos — são favoráveis a que sejam banidos os aditivos aos produtos de tabaco. Do total dos entrevistados, 66% eram fumantes. (PF)