Título: Preferido dos brasileiros
Autor: Filizola, Paula ; Castro, Grasielle
Fonte: Correio Braziliense, 14/02/2012, Brasil, p. 7

A partir de 2003, o Brasil passou a fazer parte dos países signatários da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. Em novembro de 2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assinou um documento que proibia o uso de aromatizantes e de aditivos na produção de cigarros. Logo em seguida, foi aberta uma consulta pública no Brasil para receber sugestões sobre a medida. O texto considerou aditivo toda substância que dá sabor, intensifica o aroma e é utilizada para reduzir as irritações associadas ao tabaco — tanto o destinado a ser fumado, quanto o inalado e o mascado.

As empresas do setor, no entanto, pressionaram para que a Anvisa recuasse na adição do açúcar usando o argumento de que, no país, existe o tipo de fumo burley, o preferido dos brasileiros, que, durante o processo de secagem, perde a açúcar natural e exige a sua adição. A outra defesa é de que a proibição deixaria desempregadas cerca de 50 mil famílias que produzem esse tipo da folha e traria impactos negativos para toda a cadeia produtiva.

A proposta da Anvisa é formar um grupo de trabalho para avaliar o assunto durante um ano e depois retomar o debate. A agência reguladora diz que há hoje registradas no Brasil cinco marcas do fumo burley que o produzem sem a adição de açúcar. (GC)