Título: Estamos arrasados
Autor: Mariz, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 27/02/2012, Brasil, p. 6

"As notícias demoram para se confirmar, existem trâmites legais que precisam ser cumpridos lá antes da vinda do corpo. As lembranças são muito boas. Meu pai fez 30 anos de Marinha em fevereiro, era um homem carismático, divertido, evangélico, que deixava amigos por onde passava. Virá gente de Aracaju, Salvador e Rio de Janeiro para o enterro dele aqui em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. Minha mãe está muito abalada. É uma Julieta, para usar uma figura de linguagem, e o veneno está comigo para ela não tomar. Eles eram muito apaixonados. Apesar de estarem casados há 25 anos, pareciam namorados, eram muito ligados. Tem sido muito difícil para ela, para mim e para meu irmão mais novo, de 20 anos. Sofremos uma perda irreparável. Tudo que a gente sabe sobre o momento do acidente, até agora, é coisa de boato. Dizem que houve uma troca de combustível recentemente para o etanol, que seria mais volátil, e um suposto superaquecimento dos geradores. Parece que o meu pai e o Santos (o outro militar que morreu) adentraram o recinto e se perderam, não conseguiram sair. O que ele sempre dizia da base para a gente é que era muito confortável e muito segura também. E olhe que ele era um militar bem rigoroso."

Marcos Vinícius Costa Figueiredo, de 25 anos, filho do suboficial Carlos Alberto Vieira Figueredo, morto no incêndio