Título: BC reforça redução de juros a um dígito
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 27/02/2012, Economia, p. 9
Presidente da instituição admite que a situação da economia favorece o corte da Selic, que deve cair 0,5 ponto percentual na próxima semana
Cidade do México — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá mesmo cortar a taxa básica de juros (Selic) em pelo menos 0,5 ponto percentual em sua próxima reunião, na semana que vem. O objetivo é apressar o processo que levará a taxa, hoje em 10,5% ao ano, a um dígito em 2012. As condições para um afrouxamento monetário mais consistente foram dadas na semana passada, com a queda de 1,25 ponto percentual na taxa de juros neutra, que permitirão crescimento econômico sem pressão inflacionária. Ontem, durante reunião de ministros do G-20, no México, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, deu claros indícios de que esse processo ganhou força.
"O Banco Central sinalizou recentemente que há uma alta probabilidade de que tenhamos no Brasil no futuro uma taxa de um dígito. Essa estratégia não se alterou até hoje", afirmou Tombini, durante o encontro de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20 — grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia.
Tombini disse também que concorda com a visão do mercado sobre a tendência de a taxa de juros neutra do Brasil continuar caindo. "Esse processo não se esgotou", disse ele. Pesquisa da autoridade monetária divulgada na semana passada, com base na aposta de analistas do mercado, apontou que ela passou de 6,75% (dado de novembro de 2010) para 5,5% ao ano. Para 49% dos analistas consultados, o índice continuará em queda nos próximos dois anos, o que representará espaço para novos cortes na Selic. Outros 40% acreditam que ela ficará estável e apenas 11% apostam em uma possível elevação.
O estudo, além de respaldar a decisão da autoridade monetária de cortar os juros, acalma as opiniões mais pessimistas do próprio mercado sobre a meta de inflação. "Essa (pesquisa) é importante não por causa dos números, mas por causa da tendência, que continua mostrando uma melhora nos fundamentos da economia brasileira", avaliou Tombini.
Ajuda do FMI Na visão do guardião da política monetária, a opinião do mercado é compatível e consistente com a estratégia implementada pelo Banco Central desde o segundo semestre do ano passado — de reduzir a taxa de juros e trabalhar para converter a inflação para a meta de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Tombini observou, no entanto, que a pesquisa tem pouco impacto na estratégia de curto prazo do Copom, que se reúne novamente nos dias 6 e 7 de março para decidir a Selic. "Mas é uma informação relevante", ponderou.
Os ministros de Finanças do G-20 pediram à Europa, no fim do encontro de ontem, que reforce suas medidas anticrise antes da liberação de mais recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). As autoridades dos países industrializados e emergentes reunidas na Cidade do México concluíram que os europeus precisam, primeiramente, definir o valor total de suas medidas de austeridade, o que será uma "contribuição essencial" para obterem recursos adicionais do Fundo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu a ampliação dos recursos do FMI, mas desde que a iniciativa privilegie outras nações além das europeias. "Temos de nos precaver", afirmou.
Aumento da gasolina A escalada do preço do barril do petróleo no mercado internacional e a pressão sobre os resultados da Petrobras, com um possível reajuste da gasolina, preocupam o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ao participar do encontro de ministros de Finanças e presidentes de BCs do G-20, na Cidade do México, ele disse que o tema vem sendo "monitorado de perto" pela instituição. Com os custos de produção atrelados ao dólar, a estatal brasileira pode não resistir por muito tempo sem reajustar no país caso o preço do petróleo no exterior não ceda. Nos últimos dois anos, para evitar aumentos dos combustíveis, o governo optou pela redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).