Correio braziliense, n. 19762, 05/07/2017. Política, p. 4

 

Empresário implica o presidente

Renato Souza 

05/07/2017

 

 

Enquanto o presidente Michel Temer age para tentar barrar o avanço da denúncia, por corrupção passiva, que tramita na Câmara, surgem novas suspeitas contra ele. Desta vez, a acusação é do ex-presidente da Construtora Odebrecht. Em depoimento à 10ª Vara Federal de Brasília, Marcelo Odebrecht afirmou que “teve conhecimento de que Temer integrava o grupo de políticos que facilitavam a liberação do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) para empresas”.

A denúncia é baseada nas investigações da Operação Sépsis, da Polícia Federal. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), entre 2011 e 2015, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha atuou num esquema de cobrança de propina a empresas beneficiadas pela Caixa Econômica Federal e pelo FI-FGTS.

Preso em Curitiba, Marcelo Odebrecht prestou depoimento por videoconferência, como testemunha de Cunha. Ele afirmou que foi avisado sobre a participação de Temer por meio do ex-diretor de Relações Institucionais da empresa Claudio Melo Filho. “O Cláudio dizia que Michel Temer fazia parte desse grupo, mas a pessoa que tem essa informação direta é ele. Ele sabia que tinha essa relação”, afirmou. “A única pessoa que lembro que o Cláudio dizia que fazia parte era o Temer. As empresas já sabiam quem procurar para conseguir esses recursos para financiar as obras.”

Marcelo contou que o grupo influenciava diretamente na liberação das verbas para empresas de interesse dos integrantes do esquema. O político com maior influência seria Eduardo Cunha. Ele teria ganhado poder após a indicação de Fabio Cleto à vice-presidência da Caixa .

O FI-FGTS usa recursos do FGTS para investimentos em obras de infraestrutura. Criado em 2007, no governo de Lula, o programa tem como objetivo conceder empréstimos para empresas que investem em obras de infraestrutura no país. Além de Cunha, o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves é réu nesse processo. Procurada pela reportagem, a assessoria de Temer não se pronunciou.

Frase

“A única pessoa que lembro que o Cláudio (ex-diretor da Odebrecht) dizia que fazia parte era o Temer. As empresas já sabiam quem procurar para conseguir esses recursos para financiar as obras”

Marcelo Odebrecht, empresário