Título: Pressão contra alterações na lei
Autor: Gama, Júnia ; Abreu, Diego
Fonte: Correio Braziliense, 20/02/2012, Política, p. 2/3
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, considerou uma vitória a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou constitucional a aplicação da Lei da Ficha Limpa. Ele, no entanto, disse ter receio de que o Congresso Nacional aprove alguma alteração que flexibilize as regras de inelegibilidade previstas no dispositivo sancionado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em junho de 2010. O comentário ocorreu no velório do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Maurício Corrêa, no sábado, em conversa com o Correio e com o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).
Para Rollemberg, não há clima político na Câmara e no Senado para um recuo nas medidas decretadas pela Lei da Ficha Limpa. "É uma lei de autoria popular, aprovada por unanimidade nas duas Casas", afirmou o senador. Roberto Gurgel defendeu no plenário do STF a aplicação integral da Lei da Ficha Limpa ainda nas eleições de 2010. O texto foi considerado constitucional na semana passada por sete dos 11 ministros do Supremo para aplicação já nas eleições municipais deste ano. "O impacto no Distrito Federal é grande", avalia Rollemberg, sobre os efeitos da Ficha Limpa.
O próprio Rollemberg, apontado como um potencial candidato ao Palácio do Buriti em 2014, além do governador Agnelo Queiroz (PT), que deve disputar a reeleição, são beneficiados pelas mudanças no cenário político local. Agnelo é alvo de um inquérito em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por supostas irregularidades no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, e na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas não há ainda contra ele acusação formal protocolada pelo Ministério Público Federal que possa resultar numa condenação a curto prazo.
O ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) não tem se colocado como candidato nas próximas eleições, mas há uma expectativa de que ele retorne à política em virtude de pesquisas de opinião que o colocam numa situação eleitoral favorável, mesmo após a crise que o tirou do governo em 2010. O ex-vice-governador Paulo Octávio também evita comentários sobre um possível retorno à atividade política, por ora. Entre os aliados de Joaquim Roriz (PSC), a força política do ex-governador do Distrito Federal é considerada decisiva numa eleição disputada. (AMC)